domingo, 27 de janeiro de 2008

Encontrando o Néctar nos Nomes de Krsna



Os nomes de Krsna são o repositório de toda a felicidade e a maior riqueza. Se cantarmos apropriadamente, não teremos de experimentar misérias materiais, mas estaremos aptos a experimentar o que os materialistas poderiam erroneamente categorizar como miséria: o êxtase espiritual de intensa saudade de Krsna.

Uma vez que tal bem-aventurança vem do cantar apropriado, talvez nos perguntemos como podemos cantar com atenção e concentração mesmo que ainda não sejamos devotos puros de Krsna. Como podemos controlar a mente? Como podemos deixar de pensar nas outras um milhão de coisas além do nome de Krsna?

Cantar corretamente demanda prática, e o primeiro ponto é abordar a prática de forma positiva. Quando abordamos os santos nomes de forma negativa, frequentemente pensamos mais sobre o que não deveríamos estar fazendo do que o que deveríamos estar fazendo. Como diz o ditado “you can’t do a don’t” [Você não pode fazer um “não faça”]. Então, ao invés de pensar: “Agora eu tenho que controlar minha mente e não pensar em outras coisas”, podemos pensar: “Agora eu vou me concentrar nos nomes de Krsna, que são idênticos a Krsna. Por me concentrar nos nomes de Krsna, Krsna me dotará com inteligência plena, e eu irei amá-lO cada vez mais”.

Além da maneira positiva de pensar, há outras maneiras de manter-se focado nos nomes de Krsna. Nós frequentemente cantamos em duas situações: em kirtana, ou cantar em grupo, e em japa, ou cantar privado e sussurrante. Podemos abordar cada um de forma mais ou menos diferente.

Em kirtana, devemos dar nossa atenção aos santos nomes sem considerar a qualidade musical do kirtana. Eu costumava, por exemplo, ficar muito incomodado quando a pessoa cantando saía do tom, ou era um mau cantor, ou não sabia manter uma melodia. Às vezes parecia que eu estava completamente rodeado por tais pessoas. Eu me encontrava, muitas vezes, em lugares em que quase todos pareciam carentes de habilidades musicais. Então eu entendi que Krsna havia arranjado aquelas situações para que eu pudesse apreciar Seus nomes.

Dois Níveis de Relacionamento com o Kirtana

Ruci, o estágio de profundo gosto pelo santo nome, tem dois níveis. No primeiro, a pessoa tem um gosto por kirtana somente quando a pessoa que o lidera é um cantar perito e os instrumentos são todos tocados em harmonia por músicos qualificados. No segundo nível, a pessoa tem um gosto verdadeiro por kirtana, independente da perícia musical daqueles que acompanham e daquele que lidera o kirtana – ela fica satisfeita desde que o nome esteja sendo cantado por devotos que estejam seguindo estritamente o processo do serviço amoroso a Krsna. É dito que o guru de Prabhupada, Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura, colocaria, algumas vezes, o pior cantor entre os devotos para liderar o kirtana apenas para encorajar os devotos a alcançarem o nível superior.

Assim, realizei que, pela misericórdia de meu mestre espiritual, Srila Prabhupada, e de meu avô espiritual, Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura, eu estava sendo conduzido a um nível superior de apreciação aos santos nomes. Finalmente eu me rendi, e entendi que o acompanhamento musical era apenas o veículo pelo qual os santos nomes chegavam, e que eu não deveria estar apegado ao veículo. Eu devia estar apegado ao passageiro do veículo: Krsna na forma de Seus nomes. Então, com certa prática, tornei-me capaz de colocar meu foco nos santos nomes – Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare – ao invés de me preocupar com a habilidade musical daqueles executando o kirtana.

Depois que desenvolvi esta postura, passei a desfrutar de todo kirtana. Os santos nomes são incríveis. Devotos que verdadeiramente saboreiam os santos nomes sentem que jamais poderão ter o bastante deles. Como recita Srila Rupa Gosvami, o devoto irá orar por milhões de línguas e milhões de ouvidos para cantar e ouvir.

Meu antigo apego ao veículo era como alguém apegado ao prato ao invés da prasadam, o alimento espiritual, nele. Imagine uma pessoa que rejeita uma prasada saborosíssima porque ela foi servida em um prato de folha ao invés de um de prata. Isso é ilógico.

Quando alguém participa de um kirtana, a pessoa deve simplesmente ouvir o maha-mantra e pensar em seu significado: Estamos mendigando a Radha e Krsna para que nos situem a Seus pés de lótus, estamos implorando a Radha e Krsna que sejam misericordiosos conosco. Se eu medito em como estou implorando a Radha e Krsna para que me concedam compaixão e outras qualidades devocionais, então o kirtana se torna um bem-aventurado momento de oração – independente da qualidade do acompanhamento musical.

Após praticar ouvir kirtanas com essa mentalidade, encontro dificuldade para entender pessoas que fazem afirmações do tipo: “Aquele kirtana foi extático!” (indicando que alguns outros não foram), ou pessoas que pensam que têm que viajar centenas ou milhares de quilômetros para experimentar um “kirtana extático”. Kirtanas extáticos estão disponíveis a todos, em todo lugar e o tempo todo.

É claro que quando apresentamos a consciência de Krsna para outros é importante que o acompanhamento musical seja de primeira classe. Não deveríamos forçar a compreensão acima naqueles que não estão prontos para tal.

Japa com Foco

Para focar no santo nome durante a japa, sentar-se com a coluna ereta costuma ajudar. Acomodar-se em uma almofada e cruzar as pernas na postura conhecida como “lótus” também pode ajudar eventualmente. A pessoa pode, então, relaxar conscientemente cada músculo do corpo a fim de que a única tarefa seja prestar atenção nos santos nomes. Com uma mente tranqüila, a pessoa finalmente se foca no som dos nomes de Krsna.

É muito bom estar consciente de algum pedido específico a Radha e Krsna, como mencionado anteriormente na seção kirtana. O pedido a Radha e Krsna deve ser feito no humor de mendicância emocional. Quando cantamos, devemos sempre ter um sankalpa: um desejo ou propósito espiritual.

Então simplesmente deixe os santos nomes fluírem. Sem forçar. Sem lutar com a mente. Apenas o relaxante cantar dos nomes de Krsna. Quando se sentar para relaxar o corpo e cantar japa, diga à mente de forma positiva para se focar no som. Se você repetir isso por muitas vezes, a mente irá obedecer. Com o devido desejo e compreensão, nossa mente irá naturalmente se atrair pelo santo nome, e iremos nadar no oceano de néctar. Nada mais importará, e tempo e espaço deixarão de existir.

É importante ser estrito quanto a não usar o tempo da japa para alguma outra atividade. Para alguns devotos, o período da japa no templo é usado para fins sociais ou administrativos. Exceto em emergências, eu não interrompo a minha japa.

Nós não queremos que o tempo da nossa japa seja um mero momento de descontração social. Nós devemos considerar isso tão seriamente quanto alguém querer conversar conosco enquanto lideramos um kirtana. Certamente não pararíamos o kirtana a não ser que fosse uma emergência. Devemos cantar e ouvir como o Bhagavatam (2.3.10) recomenda, tivrena bhakti-yogena yajeta purusham param: devemos adorar o Senhor com grande intensidade.

O bom cantar pela manhã começa na noite anterior. O que fazemos logo antes de dormir à noite afeta nossa consciência não apenas enquanto descansamos, mas também no dia seguinte, especialmente durante a manhã. Os Vedas descrevem dois estágios no dormir – inconsciência e sonho – e eles envolvem diferentes atividades da mente. Enquanto sonhamos, por exemplo, processamos (o que recebemos no passado), predizemos (trabalhamos eventos com os quais possivelmente teremos de lidar no futuro) e descarregamos (jogamos fora informações desnecessárias ou indesejadas) . Tais atividades envolvem a mente subconsciente. Então, se nossos pensamentos estão absortos em algo antes de irmos dormir, por exemplo, processamos aqueles pensamentos durante a noite e isso afeta a nossa consciência quando acordamos pela manhã.
Alguns anos atrás, quando eu era adolescente, meu pai comprou para mim um carro de câmbio manual, que eu não sabia como dirigir. Toda tentativa que eu fiz foi mal-sucedida. Então eu estudei os movimentos e a teoria por detrás da troca de marchas do carro, meditei nisso, sonhei com isso e, na manhã seguinte, eu estava apto a usar qualquer carro de câmbio manual sem dificuldades.

Srila Prabhupada entendia bem esse princípio. Por isso ele advogava um programa devocional noturno, especialmente a leitura de seu livro Krsna: A Suprema Personalidade de Deus antes de a pessoa ir descansar à noite. Se você se absorve em krsna-katha (tópicos relativos a Krsna) antes de descansar à noite, durante a noite sua mente e cérebro irão processar krsna-katha, você irá acordar pensando em Krsna, e seu corpo sutil será purificado. Que maneira maravilhosa de se tornar consciente de Krsna!

Pode acontecer de que enquanto lemos krsna-katha durante a noite fiquemos tão empolgados com os passatempos do Senhor que fiquemos andando de um lado para o outro e não consigamos dormir. Isso, eu diria, pode ser uma ocupação arriscada! Então, sendo esse seu caso, você pode adotar um tipo de krsna-katha mais meditativo.

Cantando ao Acordar

Como devemos acordar pela manhã? Geralmente as pessoas acordam cambaleantes, mas isso é reduzido se você está ouvindo krsna-katha à noite. De qualquer forma, independente do estado em que acordemos, podemos imediatamente começar a cantar o maha-mantra em voz alta.

Eu canto enquanto faço minha higiene rotineira. Eu costumo aproveitar essa oportunidade para praticar novas melodias de kirtana. Cantar assim é às vezes tão agradável que tenho que me lembrar que tenho outras coisas para fazer de manhã além de cantar em minha casa para mim mesmo. Outra alternativa é ouvir uma aula ou kirtana de Srila Prabhupada. É importante que se escute uma aula ou kirtana somente de pessoas que estejam praticando serviço devocional. Devemos ser muito criteriosos nesse sentido. Por ouvir o cantar ou palestras de pessoas não estritas na prática da consciência de Krsna, a nossa consciência pode se tornar encoberta pelos modos da natureza.

O Padma Purana afirma:

avaishnava-mukhodgi rnam
putam hari-kathamrtam
shravanam naiva kartavyam
sarpocchishtam yatha payah

“Não se deve ouvir nada sobre Krsna de um não-Vaisnava. O leite tocado pelos lábios de uma serpente tem efeito venenoso; similarmente, palestras sobre Krsna [hari-kathamrta] dadas por um não-Vaisnava também são venenosas”.

Assim, as duas sugestões acima – o que fazer antes de dormir e o que fazer ao acordar – prepara a mente para cantar uma boa japa.

Se nos aproximarmos dos santos nomes, em kirtana e japa, com muito cuidado e atenção, logo entenderemos quão simples e sublime a vida espiritual pode ser.
p/ Bir Krsna Svami
Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

sábado, 26 de janeiro de 2008

Kuruksetra – A Terra do Dharma


Guerra e atividades piedosas frequentemente caminharam juntas neste antigo campo do norte da Índia.

Kuruksetra, a cerca de centenas de quilômetros ao norte de Nova Delhi, é conhecido principalmente como o local onde a grande batalha do Mahabharata foi travada e onde Krsna falou o Bhagavad-gita. Mas muito antes desses eventos, Kuruksetra exercera um papel predominante na história e cultura da antiga Índia. Por milhares de anos, ali foi o eixo ao redor do qual a civilização Védica girou em sua grande glória. A importância religiosa de Kuruksetra é descrita em muitas escrituras, incluindo o Bhagavad-gita, o Mahabharata, e vários Upanisads e Puranas. As escrituras descrevem-no como um local de meditação e uma das moradas dos semideuses. A atmosfera de Kuruksetra continua dominada pelo canto de hinos Védicos, especialmente o Bhagavad-gita.

O primeiro verso do Gita se refere a Kuruksetra como dharma-ksetra, ou “o campo do dharma”, indicando que ele já era conhecido como um local sagrado. Hoje, pode-se encontrar muitos templos antigos e lagos sagrados em Kuruksetra, uma área de aproximadamente centenas de quilômetros quadrados entre os rios sagrados Sarasvati e Drsadvati, no estado de Haryana.

O Grande Rei Kuru

Kuruksetra, antigamente, era conhecido como Brahmaksetra, Brighuksetra, Aryavarta e Samanta Pancaka. Tornou-se conhecido posteriormente como Kuruksetra por causa do trabalho do rei Kuru.

O Mahabharata descreve como o rei Kuru, um proeminente ancestral dos Pandavas, fez daquela terra um grande centro de cultura espiritual. O rei Kuru foi até lá em uma quadriga de ouro e usou o ouro da quadriga para fazer um arado. Ele, então, pegou emprestado o touro do Senhor Siva e o búfalo de Yamaraja e começou a arar o solo. Quando Indra chegou e perguntou a Kuru o que ele fazia, Kuru respondeu que ele estava preparando a terra para plantar as oito virtudes religiosas: verdade, yoga, gentileza, pureza, caridade, perdão, austeridade e celibato.

Indra requisitou que o rei lhe pedisse alguma dádiva. Kuru pediu que aquela terra permanecesse eternamente um local de peregrinação, mesmo após sua partida, e que qualquer um que morresse ali fosse para o céu independentemente de seus pecados e virtudes. Indra riu ao ouvir tal pedido.

Intrépido, Kuru executou grandes penitências e continuou a arar. Gradualmente, Indra começou a reconsiderar seu pedido, mas os outros semideuses expressavam dúvida. Eles diziam que morte sem sacrifício não era digna de um espaço no céu. Finalmente, Kuru e Indra chegaram a um acordo: Indra aceitaria no céu qualquer um que morresse ali lutando ou executando penitência. Assim, Kuruksetra se tornou tanto um campo de batalha quanto uma terra piedosa.

A Batalha do Mahabharata

Quando os Pandavas clamaram de Dhrtarastra e de seus filhos, os Kauravas, a sua parte legítima do reino de Pandu, foi-lhes dada a floresta Khandava, localizada ao sul do reino de Kuru. Lá, eles construíram uma cidade magnífica chamada Indraprastha, localizada onde hoje é Delhi. Os Kauravas mantiveram Hastinapura, situada ao norte de Delhi, como sua capital.

Mais tarde, os Pandavas foram exiladas por treze anos após a derrota de Yudhisthira em um jogo de dados. Após o cumprimento do exílio, os Pandavas exigiram a devolução do reino que lhes cabia. Como representante dos Pandavas, o Senhor Krsna foi até Duryodhana, o Kaurava mais velho, e pediu humildemente por cinco vilas para os cinco Pandavas. Mas o orgulhoso Duryodhana se recusou a ceder qualquer terra. "Não darei a eles sequer a quantia de terra que cabe na cabeça de um alfinete", ele disse.

Naquele momento, a guerra se fez inevitável, e os Kauravas e os Pandavas decidiram lutar em Kuruksetra porque ali abundava água e lenha e era espaçoso e inabitado.

Os Pandavas ganharam a batalha de Kuruksetra, que durou apenas dezoito dias.

O Nascimento do Gita

A batalha de Kuruksetra começou no dia conhecido como Moksada Ekadasi. (Ekadasi é o décimo primeiro dia tanto da lua crescente quanto da lua minguante, e moksada significa "aquele que concede liberação"). Naquele dia, Krsna iluminou Arjuna com o conhecimento do Bhagavad-gita, liberando-o. Atualmente, todo ano neste dia - considerado o aniversário do Bhagavad-gita - festivais em homenagem ao Gita são realizados em Kuruksetra e em vários outros locais da Índia.

O grande festival de Jyotisar, o local onde o Gita foi falado, é organizado como um ofício do governo, com ministros e governadores presidindo o evento. Coincidentemente, é também a época da Maratona Anual da ISKCON de distribuição dos livros de Prabhupada, quando os devotos distribuem centenas e milhares de cópias do Bhagavad-gita Como Ele É de Srila Prabhupada por toda a Índia e ao redor do mundo.

Kuruksetra e o Rathayatra

Certa vez, quando Krsna Se preparava para ir a Kuruksetra no momento do eclipse solar, Ele convidou as gopis (vaqueirinhas) e outros residentes de Vrndavana para encontrarem- se com Ele em Kuruksetra. Quando Ele deixou Vrndavana em Sua mocidade, Ele prometera voltar muito em breve. Mas ele ficou longe por um longo período (cerca de cem anos), então, motivados por intenso amor espiritual, os residentes de Vrndavana sempre sentiam saudade transcendental e o extático desejo de vê-lO novamente.

Os residentes de Dvaraka (a cidade majestosa) chegaram a Kuruksetra em opulentas quadrigas; os residentes de Vrndavana (uma simples vila de vaqueiros), em carros de boi. Porque as famílias de Vrndavana e de Dvaraka eram relacionadas, uma reunião muito prazerosa aconteceu.

De todos os residentes de Vrndavana, a líder das gopis, Srimati Radharani, havia sentido as dores da separação de Krsna mais do que qualquer outro. Ela e as outras gopis estavam determinadas a levar Krsna de volta a Vrndavana. A reciprocidade amorosa entre Krsna e as gopis em Kukuksetra é o significado esotérico por trás do festival conhecido como Rathayatra. Assim, sempre que os devotos Hare Krsna realizam Rathayatras em qualquer cidade ao redor do mundo, eles estão proclamando as glórias eternas de Kuruksetra.
p/ Lokanath Svami
Tradução por Bhagavan dasa

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

A Essência da Felicidade



A busca por felicidade é natural, porque ser eternamente bem-aventurada é a posição constitucional da alma espiritual. Mas a nossa busca por felicidade no mundo físico externo é sempre frustrada; procuramos por toda a parte, nunca realizando o prazer permanente.

O cervo almiscareiro, um animal nativo da Ásia Central, dá-nos ilustração desse predicamento. O cervo almiscareiro é famoso pela essência produzida a partir de uma bolsa glandular sob a pele do abdômen do macho. Tal secreção marrom-avermelhada não é apenas muito buscada pelos seres humanos, que a usam como base para vários perfumes, mas, de acordo com a tradição Védica, o cervo almiscareiro, algumas vezes, enlouquece com a poderosa fragrância. Em sua loucura, ele corre loucamente por toda a parte, procurando a intensa fragrância por toda a parte, ou melhor, exceto dentro de si.

Você está prestes a ouvir mais um pronunciamento simplório sobre “felicidade interior”? Bom, sim e não. Sim, o devoto de Krsna lhe falará que, servindo Krsna, sente-se felicidade interior – felicidade independente das oscilantes dores e prazeres do corpo físico. Não, o pronunciamento deles não é simplório; é baseado em experiência, e em uma compreensão realizada de nossa identidade espiritual.

Toda entidade viva é uma alma espiritual – parte e parcela da Alma Suprema, Krsna – sendo naturalmente habilitada ao ilimitado prazer espiritual derivado da satisfação dos sentidos transcendentais de Krsna. O corpo físico temporário é apenas uma cobertura sobre a alma, assim como uma camisa ou casaco é apenas uma cobertura sobre o corpo. Mesmo em comparação com apenas uma gota da felicidade transcendental de se servir ao Senhor Krsna, o maior dos prazeres do mundo físico parece insignificante.

Nós apenas seguimos instintivamente a “essência” da felicidade, mas se tal essência nos conduz a gratificação de nossos sentidos, ao invés de servimos e comprazermos o Senhor Krsna, fomos enganados. Como o cervo almiscareiro, procuraremos por todo o mundo exterior em vão, nunca experimentando a felicidade interior.

p/ Satyaraja dasa

A misericórdia do Senhor é maior que a Sua lei


As leis que governam nossas vidas são materiais, metafísicas e espirituais. Quando nós agimos seguindo tais leis, há muita auspiciosidade, mas quando transgredimos qualquer tipo de lei, podem haver sérias conseqüências – especialmente no que tange a espiritualidade. Certamente, leis são necessárias para informar as pessoas e guiá-las com relação ao quanto elas são passíveis de prestar contas em seu status como seres humanos. No entanto, apesar do fato de haver uma lei, uma autoridade judicial pode eventualmente introduzir o fator misericórdia. Esse fator misericórdia não nega a lei, mas permite a uma pessoa escapar ou não ser condenada pela execução a rigor da lei. O fator misericórdia é uma constante no paradigma espiritual, especialmente em nossa era atual de "Kali Yuga", ou a era de desavenças e hipocrisia. Normalmente, há três categorias de pessoas que conseguem voltar ao Supremo. Uma dessas categorias é o "nitya-siddha": personalidades que são eternamente liberadas. Essas grandes almas nunca são condicionadas; elas escolhem entrar no mundo material vindas do mundo espiritual, disfarçadas de pessoas comuns. Sendo eternamente liberadas, e devido a isso extremamente compassivas, as "nitya-siddhas" estão em uma missão para recuperar as almas de volta ao Supremo. Quando terminam seu trabalho, elas podem voltar a seu lar no mundo espiritual, ou podem ir em outra missão para o Supremo. A segunda categoria de pessoas que estão indo para o mundo espiritual são os "sadhana-siddhas". Essas são pessoas as que se tornaram materialmente condicionadas, mas que gradualmente obtiveram pureza devido às suas sérias práticas espirituais. A terceira categoria de pessoas que pode retornar ao lar é conhecida como os "kripa-siddhas". São pessoas que receberam bênçãos e misericórdia especiais, ou do Senhor, ou de um dos agentes do Senhor. Em todas essas três categorias, é claro, o fator misericórdia está presente. Mas esse fator misericórdia é especialmente dominante no caso do "kripa-siddha". Neste caso, a misericórdia é muito mais proeminente que a regulação da lei. Nesta era de Kali, as pessoas são azaradas, brigonas e confusas, e estão propensas à vida pecaminosa e é muito necessária uma misericórdia especial. Nós, portanto, somos todos extremamente afortunados por, nesta era, a misericórdia do Senhor freqüentemente superar Sua lei. No Bhagavad-gita (9.30-31), nós vemos que mesmo que alguém tenha uma queda acidental, apesar dele ou dela ter desonrado totalmente um princípio espiritual, ele ou ela deve ser considerado santo(a), e merece o respeito de todos. Tal pessoa jamais deve continuar com seu comportamento errado, mas enquanto puder se retificar e se purificar, deve ser considerada na plataforma da santidade. O Senhor Supremo sabe que o devoto neófito pode aceitar como verdadeiros alguns testes e aliciamentos de Maya, e pode, portanto ser temporariamente pego com a guarda baixa. Mas, ainda que os hábitos ilícitos de um neófito sejam certamente objetos de repercussão, a misericórdia que o Senhor outorga irá certamente predominar sobre Sua lei. Em essência, nós somos todos semelhantes ao Senhor por sermos feitos à imagem de Deus, e sermos da mesma qualidade divina. Portanto, nós somos dotados de livre arbítrio e temos algum grau mínimo de independência. As leis do Senhor nunca interferem em nosso livre arbítrio. Contudo, por Sua graça, o Senhor freqüentemente Se expande e vai bem além de Sua lei para ajudar um devoto em dificuldade. Isso pode ser chamado de um caso de intervenção divina. Um exemplo clássico é o de Kala Krishnadas. Demonstrando a potência de Maya, esse devoto abandonou a associação do Senhor para buscar gratificação dos sentidos com um grupo de ciganos. Para salvar Kala Krishnadas, o Senhor interveio pessoalmente, literalmente arrastando Krishnadas para longe daquela comunidade pecaminosa. O resgate de Kala Krishnadas pelo Senhor é prova de que sua misericórdia é maior que Sua lei. Normalmente, pela lei espiritual, um monge renunciado não anseia por se associar com pessoas envolvidas em hábitos mundanos. Ainda assim, apesar do fato de estar na ordem renunciada, o Senhor Caitanya deu Sua misericórdia aos três reis, Patraparudra, Ramananda Roy e Pundarika. Apesar de essas três personalidades serem governantes na cultura material, eles também eram grandes devotos, repletos de amor pelo Senhor. Por causa disso, o Senhor pôs de lado toda noção de lei e etiqueta para receber o serviço amoroso e afetuoso de Seus devotos, e Ele avidamente retribuiu esse amor de acordo com o desejo deles. Quão maravilhoso é novamente ver que a misericórdia do Senhor é bem maior que sua lei. Vendo o quão degradada a era de Kali havia se tornado e continuaria a se tornar, os devotos puros Narada Muni e Advaita Acarya pediram ao Senhor que fizesse algo especial. Eles sugeriram que, ao invés de o Senhor enviar um representante dotado de poder para retificar as almas caídas, Ele deveria quebrar a lei espiritual e a etiqueta tradicionais, e descer Ele próprio para distribuir misericórdia especial, devido à severidade dos problemas de Kali. Aceitando seu conselho, Krishna desceu como o Senhor Caitanya Mahaprabhu e então organizou as coisas de tal maneira que todas as entidades vivas fossem expostas ao potente amor e misericórdia do Senhor, tendo ou não qualificação. O Senhor Caitanya deixou de lado a lei para salvar Gopinatha Pattanayaka, após Seu devoto fazer um apelo. O Senhor também converteu os terríveis pecadores Jagai e Madhai, que regularmente transgrediam todo o tipo de lei. Apesar daqueles irmãos pecaminosos ignorarem todo o tipo de lei material, espiritual e metafísica, Caitanya Mahaprabhu pôs de lado a lei do Karma e os liberou, dando a eles Sua mais elevada misericórdia sem causa. Mahaprabhu chegou a quebrar a etiqueta e deu sua misericórdia a um jovem e austero brahmana, um costureiro maometano, e até mesmo a um cão na casa de Srivasa Thakura. Quão afortunadas são as entidades vivas, devido à misericórdia do Senhor ser ainda maior que Suas leis. Apesar do brahmana caído Ajamila ter cometido tantos pecados contra pessoas inocentes, porque ele chamou o santo nome do Senhor inofensivamente no momento da morte, ele recebeu a liberação. Putana é outro exemplo de um demônio que veio para atacar Krishna, e mesmo assim foi avaliada por sua ação perturbadora e recebeu a liberação. Pela lei, Putana e todos os outros demônios que vieram para matar Krishna deveriam ser condenados a longos períodos nos planetas infernais, mas, apesar de sua intenção demoníaca, a misericórdia do Senhor foi muito maior que Sua lei. Jesus quebrou a etiqueta por lavar os pés de seus discípulos. O Senhor Krishna também lavou os pés de muitos devotos em um sacrifício Rajasurya. Krishna também lavou os pés de Sudama Vipra, e, em um ato extremo de humildade e quebra da ordem natural, o Senhor Supremo tornou-se conhecido como Parta Sarathi, quando dirigiu a quadriga de Arjuna na batalha de Kuruksetra. Todas essas leis espirituais ortodoxas foram postas de lado pelo Senhor para demonstrar um princípio mais importante: que Krishna irá com boa vontade fazer o que quer que seja necessário para proteger e favorecer Seus devotos puros – até mesmo tornar-se servo de Seus devotos. Como é maravilhoso que a misericórdia do Senhor seja maior que Sua lei. O mestre espiritual e qualquer um dos representantes puros do Senhor são eles mesmos "corretores" espirituais, ou intermediários. Freqüentemente essas almas compassivas imploram para que o Senhor estenda Sua misericórdia muito acima do limite de Suas leis. Nós encontramos exemplos disto na vida de Jesus. Jesus Cristo converteu a prostituta Maria Madalena e a transformou em uma serva de primeira classe do Senhor. Ele também defendeu os criminosos que morreram na cruz com ele, para que eles pudessem entrar com ele no paraíso. O profeta Maomé implorou para que o Senhor concedesse misericórdia especial e perdão para aqueles que estavam fazendo sexo com suas mães, e aqueles que estavam matando suas filhas recém-nascidas. O profeta chegou a argumentar com o Senhor em favor dos escravos e órfãos, para que eles também recebessem a instrução e misericórdia adequadas. O Senhor Buddha interveio para trazer misericórdia àqueles que se desviaram devido à sacrifícios doentios de animais . Ele chegou a por de lado algumas leis Védicas que estavam provocando confusão e abusos. Quão maravilhoso é ver como a misericórdia do Senhor e de Seus servos é muito maior que Sua lei. Normalmente, de acordo com a lei espiritual, assim que uma pessoa nasce ela está em dívida com todos seus ancestrais, os semideuses, o sol, a lua, e muitos outros superiores. Para cumprir com essas obrigações, há vários tipos de orações e rituais que uma pessoa deve realizar para apaziguar seus vários credores. Mas uma pessoa que toma refúgio no serviço devocional puro é aliviada de todas essas obrigações, e não fica mais endividada com tais superiores. Porque Bhakti (devoção) rega a raiz da trepadeira devocional e satisfaz o Senhor Supremo, a satisfação de todas as partes integrantes doSenhor é conquistada automaticamente. Bhakti é tão forte que chega a ser tão grande ou até maior que o Senhor! Isso é porque o Senhor permite o intercâmbio de relacionamentos amorosos puros para transcender todas as formalidades. O devoto em um relacionamento amoroso puro pode se conectar com o Supremo eaté mesmo capturá-Lo, pois Deus, sentado no coração desse devoto, realiza seu desejo de prestar serviço puro e amoroso a seu amado. Enquanto pensava com gratidão sobre a misericórdia sem causado Senhor, eu pensei no meu Guru e em tudo o que ele fez no passado para destruir as ilusões do meu falso ego. Então, bem no momento em que eu pensava em meu Guru, a sua voz irrompeu em meus pensamentos. "Esta, amado," disse meu mestre espiritual, "é a natureza do mundo espiritual. As leis são transcendidas porque na verdade não há violadores delas, não há barreiras para dar e receber amor, e porque a misericórdia é compartilhada e estendida até seu grau máximo em uma expressão contínua pelo Casal Divino." "Meu querido, apesar de às vezes parecer quase impossível fazer isso, domine os delírios do seu falso ego e continue honrando todas as leis espirituais. Dessa forma, você em breve será capaz de viver eternamente na terra sem leis, aonde o amor puro e a misericórdia são tudo o que conhecemos e com o que convivemos."Todas essas leis espirituais ortodoxas foram postas de lado pelo Senhor para demonstrar um princípio mais importante: que Krishna irá com boa vontade fazer o que quer que seja necessário para proteger e favorecer Seus devotos puros – até mesmo tornar-se servo de Seus devotos.
The Beggar III/ Bhakti Tirtha Swami

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

AS GLÓRIAS DE TULASI DEVI




O Senhor Shiva disse:
"Meu querido Narada Muni, por favor, ouça com muita atenção, pois agora eu relatarei as maravilhosas glórias de Tulasi Devi. Quem ouve as glórias de Tulasi Devi, elimina todas as suas reações pecaminosas acumuladas durante muitos nascimentos e mui rapidamente alcança os pés‑de‑lotus de Sri Radha Krishna. As folhas, flores, raizes, casca, galhos, tronco e a sombra de Tulasi Devi são todos espirituais”.
“Alguém cujo corpo morto é queimado numa fogueira, alimentada com madeira de Tulasi, alcançará o mundo espiritual, mesmo que seja o pior entre os pecadores, e quem acender esta fogueira, será libertado de todas suas reações pecaminosas. Quem, na hora da morte cantar, pronunciar, falar, o nome do Senhor Krishna, e estiver­ tocando na madeira de Tulasi Devi, alcançará o mundo espiritual”.
“Quando o corpo morto de alguma pessoa está sendo queimado, mesmo que se coloque apenas um pequeno pedaço de madeira de Tulasi neste fogo, então esta pessoa alcançará o mundo espiritual; pelo simples toque de Tulasi todas as outras madeiras se purificam. Quando os mensageiros do Senhor Vishhu vêem um fogo, no qual há madeira de Tulasi queimando, imediatamente eles chegam e levam essa pessoa, cujo corpo foi incinerado para o mundo espiritual. Os mensageiros de Yamaraja não virão a esse lugar, onde a madeira de Tulasi estiver na fogueira ou pira funerária que queima o corpo da pessoa, e esta pessoa vai para o mundo espiritual e a caminho, todos semideuses derramam flores nela; quando o Senhor Vishnu e a Senhor Shiva vêem tal pessoa a caminho do mundo espiritual, ficam muito felizes e a abençoam, e o Senhor Krishna aparece diante dela, tomando‑a pela mão, leva‑a para Sua própria morada”.
“Quem por ventura vai a um local, ande se queimou madeira de Tulasi, se tornará purificado de todas reações pecaminosas. ­O brahmana, que estiver realizando sacrifício de fogo e colocar entre as outras madeiras, madeira de Tulasi, obterá os resultados de um agni-hotra yajna para cada grão oferecido naquele fogo”.
“Quem oferece ao Senhor Krishna incenso, feito de madeira de Tulasi, obterá o resultado de cem sacrifícios de fogo e de dar cem vacas em caridade”.
“Quem cozinha uma oferenda para o Senhor Krishna num fogo, que contiver madeira de Tulasi, obterá o mesmo benefício de quem oferece em caridade uma colina de grãos do tamanho do Monte Meru, para cada grão daquela oferenda ao Senhor Krishna”.
“Quem acende uma lamparina a ser oferecida ao Senhor Krishna com pedaço de madeira de Tulasi, alcançará o mesmo benefício que alguém que oferece dez milhões de lamparinas ao Senhor Krishna. Não há ninguém mais querido ao Senhor Krishna do que tal pessoa”.
“Quem aplica a pasta da madeira de Tulasi na Deidade do Senhor Krishna com devoção, sempre viverá próximo ao Senhor Krishna”.
“Qualquer pessoa que passe a terra que fica ao redor de Tulasi Devi em seu corpo e adore a Deidade do Senhor Krishna, recebe os resultados de cem dias de adoração”.
“Quem oferece um manjari de Tulasi ao Senhor Krishna recebe o benefício de oferecer todas variedades de flores, após o que irá à morada do Senhor Krishna”.
“Quem vê ou chega perto da casa ou jardim onde existe uma planta Tulasi, se livra de todas as reações pecaminosas passadas, incluindo aquela por assassinar um brahmana”.
“0 Senhor Krishna certamente reside na casa, vila, ou floresta, onde Tulasi Devi está presente”.
“A casa onde Tulasi Devi está presente, nunca passa por penúria e devido a presença de Tulasi Devi, este local se torna mais puro do que todos locais sagrados”.
“Quem plantar Tulasi próximo ao templo do Senhor Krishna, alcançará a morada de Krishna”.
“Onde quer que o aroma de Tulasi Devi seja levado pelo vento, purifica a todo mundo que entrar em contato direto com ele”.
“Na casa em que a terra de Tulasi Devi é mantida, todos semideuses junto com o Senhor Krishna sempre residirão. Onde quer que a sombra de Tulasi Devi recaia, o local fica purificado e é o melhor local para se oferecer sacrifícios de fogo”.
-NOTA-
Só se deve usar madeira de Tulasi depois que Tulasi Devi secou por completo; nunca se deve fazer uso da madeira de Tulasi que não esteja completamente sêca.


MAIS GLORIFICAÇÕES A TULASI DEVI
SRISTIKHAND

Kartikeya perguntou:
-Meu querido pai (Senhor Shiva), que arvore ou planta é capaz de proporcionar amor por Deus?.
0 Senhor Shiva respondeu:
-Meu querido filho, de todas as arvores e plantas, Tulasi Devi é a melhor; Ela é toda auspiciosa, a realizadora de todos desejos, completamente pura, a mais querida do Senhor Krishna, e a melhor das devotas.
“Há muito tempo atrás, o Senhor Krishna, para o benefício de todas as almas condicionadas, trouxe Vrindadevi em Sua forma de planta (Tulasi) e a plantou neste mundo material. Tulasi é a essência de todas as atividades devocionais. Sem folhas de Tulasi, o Senhor Krishna não aceita flores; alimentos; pasta de sândalo, de fato, qualquer coisa sem folhas de Tulasi não é bem vista pelo Senhor Krishna”.
“Quem adora o Senhor Krishna diariamente com folhas de Tulasi obtém os resultados de todo tipo de austeridade, caridade e sacrifício de fogo. De fato, esta pessoa não tem outro dever a realizar e já realizou a essência de todas as escrituras”.
“Assim como o rio Ganges purifica todos que nele se banham, assim mesmo Tulasi Devi purifica os três mundos. Não é possível descrever todo o benefício de oferecer manjares de Tulasi (flores) ao Senhor Krishna. 0 Senhor Krishna junto com todos semideuses, vive onde quer que haja Tulasi Devi. Por essa razão deve‑se plantar Tulasi Devi no lar e oferecer adoração diariamente. Quem se senta perto de Tulasi Devi e canta ou recita orações obterá os resultados muito mais rápido”.
“Todas formas de fantasmas e demônios correm do lugar ande Tulasi Devi estiver plantada; e todos tipos de reações pecaminosas são destruídas quando se chega perto de Tulasi Devi. Quem fizer um jardim de Tulasi obtém os resultados de ter feito todos os tipos de caridades e de ter executado cem sacrifícios de fogo”.
“Quem puser na boca ou sobre a cabeça as folhas de Tulasi, depois de terem sido oferecidas ao Senhor Krishna, alcança a morada do Senhor Krishna. Na Kali‑yuga, quem adora; faz kirtan; lembra; planta ou mantém Tulasi, queima todos suas reações pecaminosas e alcança a morada do Senhor Krishna mui rapidamente”.
“Quem prega as glórias de Tulasi Devi e também pratica o que prega, se torna muito querido do Senhor Krishna. Quem adora Tulasi Devi já satisfez seu guru, os brahmanas, semideuses, e visitou todos lugares sagrados. Quem oferece uma folha de Tulasi ao Senhor Krishna se tornará um Vaisnava muito em breve. Qual a necessidade de se entender todas escrituras? se para aquele que ofereceu a madeira ou as folhas de Tulasi Devi ao Senhor Krishna, tal pessoa nunca vai precisar provar do leite do seio de uma mãe novamente (ou seja nunca mais precisará renascer). Quem tiver adorado o Senhor Krishna com as folhas de Tulasi Devi já libertou todos seus antepassados deste reino de nascimento e morte”.
“Meu querido Kartikeya, contei‑lhe muitas das glórias de Tulasi Devi. Se fosse descrever Suas glórias pela eternidade, ainda assim não conseguiria chegar ao final delas. Quem lembrar ou cantar a outro estas glorificações de Tulasi Devi nunca tomará nascimento novamente”.

SRI TULASI‑STAVA
SRISTIKHAND

Um certo Brahmana disse:
-Srila Vyasadeva, já o ouvimos, falar das glórias das folhas e flores de Tulasi Devi. Agora gostaríamos de ouvir o Tulasi stava (Oração).
Srila Vyasadeva respondeu:
-Anteriormente, um discípulo de Shatanand Muni aproximou‑se dele reverencialmente de mãos postas e indagou sobre a Tulasi stava.
O discípulo disse:
-Ó maior de todos devotos do Senhor Krishna, por gentileza relate esse Tulasi stava, que ouviste da boca do Senhor Brahma.
Shatanand respondeu:
-Basta tomar o nome de Tulasi Devi, que já agradamos ao Senhor Krishna e destruímos todas reações pecaminosas. Quem apenas ver Tulasi Devi recebe o beneficio de dar milhões de vacas em caridade e quando esta pessoa oferece adoração e orações a Tulasi Devi, então ela se torna digna de adoração nesta era de Kali‑yuga. Na Kali-yuga a pessoa que plantar uma árvore de Tulasi para o prazer do Senhor Krishna, mesmo se os mensageiros de Yamaraja estiverem irados com ela, não poderão fazer‑lhe nada, e ela não necessitará temer a morte personificada.

“Tulasi amrita‑janmasi, sada tvam Kesava‑priya Kesavartham cinomi tvam,varada bhava sobhane tvadang sambhavai aniyam, pujayami yatha Harim tatha kuru pavitrangi, kalou mala vinashini”

“Quem cantar este Mantra enquanto colher folhas de Tulasi e então as oferecer aos pés de lótur do Senhor Krishna, os resultados de tal oferenda serão aumentados milhões de vezes. Agora ouçam cuidadosamente a Tulasi Stava:

Tulasi Stava

01 - Munayah sidha‑gandharvah, patale nagaratsvayam prabhavam tava deveshi, gayanti sura‑sattama.

02 - Na te prabhavam jananti, devatah Keshavadrite gunanam parimananutu, kalpakotisha‑tairapi.

03 - Krishna‑anandat samudbhuta, Kshiroda‑mathanodyame uttamange pura yena, Tulasi‑Visnu na dhrita.

04 - Prapyaitani tvaya devi, Vishno‑rangani sarvashah, pavitrata tvaya prapta, Tulasimtvam namamyaham.

05 - Tvadanga‑sambhavaih patraj, puja‑yami yatha harim tatha kurushva me vighna, yato yami para gatim.

06 - Ropita gomati‑tire, svayam-Krishneana palita jagaddhitaya Tulasi, gopinam hita-hetave.

07 - Vrindavane vicharata, sevita Vishnuna svayam Gokulasya vivriddhyarth, kamsasya nidhanaya ca.

08 - Vashishtha vachanat purvam ramen sarayu‑tate rakshasanam vadharthaya,
ropita‑tvam jagat‑priye ropita‑tapaso vridhyai, Tulasi‑tvam namamyaham.

09 - Viyoge Raghavendra‑sya, dhyatva tvam janak atmaja ashokavana‑madhye tu, priyena saha‑sangata.

10 - Shankarartha pura devi, parvatya tvam himalaye ropita sevita siddhyai, Tulasi tvam‑namamyaham.

11 - Dharmaranye gayayam ca, sevita pitribhih svayam sovita tulasi punya, atmano hita‑michhata.

12 - Ropita Ramachandren sevita Laksmanena cha Sitaya palita bhaktya, Tulasi‑dandake vane.

13 - trailokya‑vyapini ganga, yatha shastre‑shu giyate tathaiva Tulasi devi drishyate sacharachare.

14 - Risyamuke ca, vasata kapirajen sevita Tulsi balinashaya, tarasangam‑hetave.

15 - Pranamya Tulsi‑devi, sagarottkramanam kritam krit‑karyah prahusthascha, Hanuman punaragataha.

16 - Tulasi grahanam kritva, vimukto yati patakaih athava munishardula, brahma‑hatyam‑vyapohati.

17 - Tulsi patra‑galitam, yastoyam‑sirasa vahet ganga‑snanam avapnoti, dasha‑dhenu phala‑pradam.

18 - prasid devi deveshi, prasid Hari vallabhe Ksirod‑mathanod bhute, Tulasi tvam namamyaham.

19 - Dvadasyam jagare ratrou, yah pathet Tulasi stavam, dvatrim‑shadaperadhans cha, ksamat tasya Keshavah.

“Quem adorar Tulasi no Dvadasi e cantar este Tulasi stava destrói todos 32 tipos de reações pecaminosas. O Senhor Krishna se torna muito satisfeito com tal pessoa”.
“Naquela casa em que este Tulasi stava for recitado frequentemente, o infortúnio nunca visitará, nem por acidente, e a deusa da Fortuna residirá ali certamente”.
“Quem recitar este Tulasi stava obterá devoção por Krishna e sua mente não se afastará dos pés de lótus Dele”.
“A pessoa que se mantiver acordada durante a noite do Dvadasi após adorar Tulasi Devi com este stava, obterá o benefício de visitar todos locais sagrados e sua mente nunca contemplará o desfrute separadamente do Senhor Krishna. Não só isso, mas tal devoto afortunado nunca se separará da associação dos Vaisnavas”.

ASTA‑NAMA‑STAVA
os oito nomes de Tulasi Devi

Vrindavani, Vrinda, Visvapujita, Pushpasara, Nandini, Krishna‑jivani, Visva‑pavani, Tulasi.

VRINDAVANA - Aquela que primeiro se manifestou em Vrindavan.
VRINDA – A deusa de todas plantas e árvores (apenas uma planta de Tulasi numa floresta, esta pode ser chamada de Vrindavan).
VISVAPUJITA - Aquela que todo o universo adora.
PUSHPASARA - A melhor de todas as flores,sem aqual Krishna nem olha as outras flores.
NANDINI - Aquela que ao ser vista concede ilimitado êxtase aos devotos.
KRISHNA ‑ JIVANI - A vida de Krishna.
VISVA ‑ PAVANI - Aquela que purifica os três mundos.
TULASI - A incomparável”.

“Qualquer pessoa que ao adorar Tulasi Devi cantar estes oito nomes, obterá os mesmos resultados de realizar um Asvamedha yajna. Quem no dia de lua cheia de Kartika (dia do aparecimento de Tulasi Devi) adorá-la com este Mantra, se libertará das amarras deste miserável mundo de nascimento e morte, e mui rapidamente alcançará Goloka Vrindavana. No dia de lua cheia de Kartika, o próprio Senhor Krishna adora Tulasi Devi com esse mantra.
Quem se lembrar desse mantra dentro em breve alcançará devoção pelos pés de lótus do Senhor Krishna”.


Tradução: Indumukhi Devi Dasi

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Louvando o Senhor


Quando falamos de yoga, referimo-nos ao processo pelo qual ligamos nossa consciência à Suprema Verdade Absoluta. Conforme o método específico adotado, vários praticantes dão a esse processo nomes diferentes. Quando no processo unitivo predominam as atividades fruitivas, ele chama-se karma-yoga; quando é predominantemente empírico, o processo chama-se jnana-yoga; e quando predomina uma relação devocional com o Senhor Supremo, chama-se bhakti-yoga. Bhakti-yoga, ou consciência de Krishna, é a perfeição última de todas as yogas. O ascetismo sem autoconhecimento é imperfeito. O conhecimento empírico sem rendição ao Senhor Supremo também é imperfeito. E trabalho fruitivo sem consciência de Krishna é perda de tempo. Portanto, a forma de execução de yoga de maior louvor mencionada aqui é a bhakti-yoga. BG 6.46 sig

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Apenas a verdadeira ocupação nos livrará do labirinto da existência material


Alguém que não é consciente de Krishna sujeita-se a desejos materiais enquanto contempla os objetos dos sentidos. Os sentidos precisam de verdadeira ocupação, e se não estiverem ocupados no serviço transcendental amoroso ao Senhor, eles decerto procurarão ocupar-se a serviço do materialismo. No mundo material, todos, incluíndo o Senhor Siva e o Senhor Brahma - sem mesmo precisar mencionar outros semideuses nos planetas celestiais - estão sujeitos à influência dos objetos dos sentidos, e o único método para sair deste labirinto da existência material é tornar-se consciente de Krishna.

BG 2.62 sig