sábado, 26 de maio de 2007

Atraíndo Krishna


Srila Rupa Goswami declara que o serviço devocional atrai até mesmo o próprio Krishna. Krishna atrai todo mundo, mas o serviço devocional atrai Krishna. O símbolo do serviço devocional do mais alto grau é Radharani. Krishna é chamado Madana-mohana, que significa que Ele é tão atrativo que pode derrotar a atração de milhares de Cupidos. Mas Radharani é ainda mais atrativa, pois é capaz de atrair até mesmo Krishna. Por isso, os devotos chamam-Na de Madana-mohana-mohani _ Aquela que atrai Aquele que atrai Cupido.

Executar serviço devocional significa seguir os passos de Radharani, e em Vrindávana os devotos colocam-se sob os cuidados de Radharani para alcançar a perfeição em seu serviço devocional. Em outras palavras, o serviço devocional não é uma atividade do mundo material; está diretamente sob o controle de Radharani.

Néctar da Devoção (Características do Serviço Devocional)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Cantando Japa


Cantar japa não significa realmente cantar, no sentido de melodias, etc., e sim apenas entoar, pronunciar o mantra. A palavra japa em si pode ser traduzida como murmurar.

Instruções sobre como cantar japa.
1. Segure a japa (rosário com 108 contas) na mão direita. Se você não tiver acesso a uma japa-mala pode até mesmo utilizar um barbante com 108 nós.
2. Mantenha a japa entre os dedos polegar e médio, na primeira conta depois da principal.
3. Passe suavemente para a conta seguinte, à medida que entoe o maha-mantra: Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare, Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. Pode fazer bem baixinho, de forma que apenas você consiga ouvir, ou pode fazer mais alto, conforme preferir ou for conveniente.
4. Passe para a conta seguinte e cante novamente o maha-mantra. Em seguida, passe para a próxima e repita o processo, assim por diante.
5. Ao chegar à última conta antes da principal (que não é cantada), vire a japa e continue a cantar, começando com a conta na qual você terminou a volta (uma volta tem 108 contas).
6. Cante uma ou mais voltas por dia, de acordo com suas possibilidades, mas tente nunca cantar menos do que o número que você determinou-se a cantar. Os devotos iniciados do movimento Hare Krishna cantam pelo menos 16 voltas por dia. O importante é manter um compromisso fixo e não falhar. Isso é o item mais importante de seu saddhana.
Embora não existam regras fixas e inflexíveis para cantar os santos nomes de Deus, apresentamos adiante algumas dicas que podem ajudá-lo neste processo:
a) Cante com sentimento, como se você fosse uma criança clamando pela presença da sua mãe.
b) Cante com nitidez, ouvindo cada sílaba e fixando a mente no som do maha-mantra.
c) Cante sem interrupções, como um rio fluindo para o oceano.
d) Cantar bem cedo, antes mesmo do sol nascer, é recomendável. Sentirá como é mais fácil fixar sua mente nos santos nomes nesses horários. Também, por ser a prática mais importante do seu dia, é bom dar prioridade a isso, antes que as exigências do dia lhe roubem todo seu tempo.
e) O objetivo é apenas ouvir seu cantar. Tente não pensar em mais nada, nem mesmo em assuntos de natureza transcendental. Cantar japa atentamente não é fácil, mas deve ser seu objetivo constante. Sempre que sua mente lhe arrastar para qualquer outro assunto enquanto canta japa (o que vai acontecer muito!), traga-a de volta aos santos nomes. Nunca desanime. Mesmo o cantar desatento é extremamente poderoso. Portanto, o segredo é continuar sempre cantando, fazendo seu melhor e dependendo da misericórdia de Krishna.
Lembre-se também que sempre que estiver falando (ou mesmo escrevendo) sobre Deus, ou qualquer assunto diretamente ligado a Ele, está praticando o “cantar”, pois toda divulgação das glórias, nomes, atividades, devotos, livros, etc. de Deus é também pura bhakti-yoga.
Na medida que avançar, assimilando bem os conhecimentos através da prática do item anterior (ouvir) e realizando-as através do cantar, poderá e deverá transmitir seu conhecimento transcendental, em especial divulgar o cantar dos santos nomes de Deus, como puder, dentro de suas possibilidades. Apenas não seja um farsante! Transmita apenas aquilo que compreendeu, sem modificar ou acrescentar nada. Mais fácil ainda, apenas divulgue seus bons resultados com as práticas de bhakti-yoga (e pode ter certeza que se praticar terá bons resultados!), recomendando que as pessoas sigam o mesmo caminho que está trilhando agora.

Manual de Bhakti-yoga
P/ Giridhari Das

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Srimad Bhagavatam (11.14.23)



Se os pêlos não se arrepiam, como pode o coração derreter-se? E se o coração não se derrete, como podem os olhos derramar lágrimas de amor? Se não chora de felicidade espiritual, como se pode prestar serviço amoroso ao Senhor? E sem tal serviço, como se pode purificar a consciência?



quarta-feira, 23 de maio de 2007

Emergência Espiritual e a Crise Global

A ciência moderna dispõe de todo conhecimento necessário para eliminar a maioria das enfermidades, combater a pobreza e a inanição e gerar abundância de energia segura e renovável. Contamos com recursos e mão-de-obra suficientes para realizar os mais desvairados sonhos da humanidade.
Contudo, mesmo com todo esse progresso, estamos cada vez mais longe de um futuro feliz, livre de sofrimentos. Os mais importantes triunfos tecnológicos- a energia atômica-, a cibernética, a química e a bacteriologia – voltaram-se para propósitos belicosos, criando um poder destrutivo inimaginável. Centenas de milhões de pessoas morrem de fome e de doenças, que poderiam ser remediadas pelos bilhões de dólares gastos anualmente na loucura da corrida armamentista. Além disso, vários cenários plausíveis de hecatombe global, da gradual destruição ambiental de vários tipos à devastação repentina e imediata pelo holocausto nuclear, deixa-nos com o dúbio privilégio de sermos a primeira espécie da história do planeta a desenvolver o potencial para cometer suicídio coletivo e, o que é pior, destruir com esse ato todas as outras formas de vida.
Diante dessa perigosa situação, é vital identificarmos as raízes da crise global e desenvolvermos remédios eficazes para aliviá-la. A maioria das atuais abordagens dos governos e de outras instituições tem como foco medidas militares, políticas, administrativas, legais e econômicas que refletem as mesmas estratégias e atitudes que criaram a crise, atacando antes os sintomas do que as causas e, por essa razão, produzem, quando o conseguem, resultados limitados.
Se temos os meios e o conhecimento tecnológico para alimentar a população do planeta, garantir a todos um padrão de vida razoável, combater a maioria das enfermidades, reorientar as indústrias para fontes de energia inesgotável e evitar a poluição, o que nos impede de dar esses passos positivos?
A resposta está no fato de todas as situações difíceis acima mencionadas serem sintomas de uma única crise fundamental: os problemas que enfrentamos não são, em última análise, apenas econômicos, políticos e tecnológicos. Eles são reflexos do estado emocional, moral e espiritual da humanidade contemporânea. Dentre os aspectos mais destruidores da psique humana, estão a agressão mal-intencionada e o consumismo insaciável. Trata-se de forças responsáveis pelo desperdício inimaginável da beligerância moderna. Elas também impedem uma divisão mais adequada dos recursos entre pessoas, classes e nações, bem como a reorientação para prioridades ecológicas essenciais à continuidade da vida neste planeta. Esses elementos destruidores e autodestrutivos na atual condição humana são uma conseqüência direta da alienação da humanidade moderna tanto de si mesma como da vida e dos valores espirituais.
Em vista desses fatos, um dos poucos movimentos encorajadores e auspiciosos do mundo de hoje é o renascimento do interesse pelas antigas tradições espirituais e pela busca mística. Pessoas que passaram por intensas experiências de transformação e conseguiram aplicá-las à sua vida cotidiana exibem mudanças muito nítidas em seus valores. Esse resultado encerra uma grande promessa para o futuro do mundo, uma vez que representa um movimento que se desvia das características destruidoras e autodestrutivas da personalidade, bem como o surgimento de características que promovem a sobrevivência individual e coletiva.
As pessoas envolvidas nos processos de emergência espiritual tendem a desenvolver uma nova apreciação de todas as formas de vida, bem como reverência por elas, ao lado de uma nova compreensão da unidade de todas as coisas, o que costuma levar a intensas preocupações ecológicas e a uma maior tolerância diante dos outros seres humanos. A consideração por toda a humanidade, a compaixão por todos os elementos da vida e o pensamento em termos do planeta como um todo passam a ter prioridade diante dos interesses estreitos das pessoas, das famílias, dos partidos políticos, das classes, das nações, e dos credos. Aquilo que nos une mutuamente e aquilo que temos em comum se torna mais importante do que as nossas diferenças, vistas antes como fator de aperfeiçoamento do que como ameaças. Podemos ver, nas atitudes típicas da emergência espiritual, o contraponto da intolerância, da irreverência para com a vida e da falência moral – raízes da crise global. Dessa maneira é nossa esperança que o crescente interesse pela espiritualidade e a grande incidência de experiências místicas espontâneas sejam o arauto da mudança da consciência da humanidade numa direção que vai ajudar a reverter o nosso atual curso de autodestruição.
Vimos que pessoas que passam por emergências espirituais obtêm enormes benefícios de abordagens que apóiam o potencial transformador desses estados. Essas novas estratégias também podem ter efeitos muito benéficos no ambiente humano imediato dessas pessoas – a família, os amigos, e os conhecidos. É estimulante considerar que essas atividade pode , além disso, ter relevância para a sociedade humana como um todo, ajudando a minorar a crise por que todos passam.

Stanislav Grof e Christina Grof

segunda-feira, 7 de maio de 2007

A toda penetrante natureza divina Se manifesta em formas miríades.

Podemos encontrar descrições evidentes manifestas deste Ser Supremo nos livros de sabedoria Védica. O fator benéfico de se ouvir de fontes autênticas privilegia aqueles que buscam o significado profundo das multifárias energias da fonte de tudo e todos. Estas fontes autênticas descendem através de uma corrente discipular que revelam as complexidades do desconhecido e inconquistável, que desta forma se torna cognoscível e cativado. Para um leigo lutar em uma corte judicial e tentar compreender as complexidades dos códigos de direito legal se torna uma tarefa árdua e impossível. O melhor será se dirigir a um advogado que conheça as leis. Da mesma forma a compreensão do que está além de nossa experiência se torna possível quando nos aproximamos daqueles qualificados no conhecimento espiritual. Os observadores da Verdade apontam o conhecimento da transcendência através dos livros da sabedoria Védica.
No Shri Chaitanya Charitamrta há informações detalhadas de como a toda penetrante natureza divina manifesta-Se em sua qualidade distintiva fundamental como a Pessoa Suprema. Embora Sua forma seja uma, pelo Seu desejo supremo Ele pode manifestar suas miríades manifestações através de Suas ilimitadas expansões. Suas três formas principais são conhecidas tecnicamente como svayam-rupa, tad-ekatma-rupa e avesha-rupa (CC Madhya-lila 20.165).

svayam-rupa, tad-ekatma-rupa,avesa—nama
prathamei tina-rupe rahena bhagavan


Sua forma original se exibe em duas formas: svayam-rupa e svayam-prakasa. Em Sua forma original Ele se manifesta como Krishna na atmosfera de Vrindávana e é um menino vaqueiro adornado com vestimentas amarelas, uma guirlanda de flores, e uma pena de pavão em Sua cabeça. Como tad-ekatma-rupa Ele permanece como a Suprema Personalidade de Deus, porém, diferenciado. E avesha significa Sua forma imponderada para a propagação de Sua sabedoria suprema.
Sua svayam-rupa manifesta duas divisões, prabhava e vaibhava. Em Sua manifestação prabhava Ele manifesta suas próprias características, porém se distribui em locais diferentes. Dá-se o exemplo da dança da rasa. A dança da rasa é descrita no Shrimad-Bhagavatam, Canto 10, Capítulo 33. Um resumo que se dá da descrição é de Krishna como um jovem de dezesseis anos e as belas meninas da aldeia de Vrindávana. As meninas de Vrindávana amavam a Krishna e o queriam como esposo, assim para satisfazer o desejo de todas as meninas Ele começou a tocar Sua flauta em uma bela noite de lua cheia, e assim todas as meninas, conhecidas como gopis, vieram para desfrutarem a noite com seu amado e assim deu-se a dança da rasa. Havia centenas de gopis, mas Krishna expandiu-Se para dançar com cada uma delas. Estas Suas manifestações são conhecidas como prabhava-prakasa. Em Sua manifestacao vaibhava-prakasa Ele manifesta-se diferentemente na forma de Shri Balarama. Shri Balarama possui forma corpórea diferente da de Shri Krishna, porém Ele é igual a Krishna em todos aspectos.
Em sua expansão tad-ekatma-rupa, Krishna manifesta ligeiramente diferentes emoções, atividades e características. As expansões quádruplas, Vasudeva, Sankarsana, Pradyumna, e Aniryddha são Suas expansões principais, e Elas residem eternamente em Dvaraka e Mathura. De Suas expansões originais quádruplas se manifestam vinte e quatro formas e Elas se diferem de acordo com as diferentes insígnias em Suas quatro mãos e residem no céu espiritual, paravyoma.
Como saktyavesa o Senhor Krishna se manifesta ilimitadamente diretamente e indiretamente. São encarnações dotadas com poderes excepcionais. Entre Suas manifestações dotadas de poder encontramos os quatro Kumaras, Narada Muni e Maharaja Prthu, entre outras. Estas encarnações Se manifestam para mostrarem poderes específicos. Considera-se também encarnações dotadas de poder o Senhor Budha, Jesus Cristo e mais recentemente Suas Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, que foram dotados com o poder de disseminarem o conhecimento do amor a Deus.
Assim como centenas e milhares de pequenos córregos brotam de grandes reservatórios de água, inúmeras encarnações fluem de Shri Krishna, a Suprema Personalidade de Deus e reservatório de todo o poder.

Gita Govinda - Traduzido por Raghunatha Dasa


Sexta Canção
11
Chego na floresta noturna
Meus olhos nervosos O buscam
Onde em segredo Ele repousa
E Ele ri de gozo na alcova.
Amiga, traz Quem matou Keshi
Para que comigo desfrute
Ficarei louca de esperar
Que seu volúvel amor mude.
12
Fico tímida quando O vejo
Ele me adula com gracejos
E não resisto ao Seu encanto
Quando me enlaça com seu manto
Amiga, traz Quem matou Keshi
Para que comigo desfrute
Ficarei louca de esperar
Que seu volúvel amor mude.
13
No leito de folhas me deito
E ele se abriga no meu peito
Dou-Lhe muitos beijos e abraços
E Ele se embriaga nos meus lábios
Amiga, traz Quem matou Keshi
Para que comigo desfrute
Ficarei louca de esperar
Que seu volúvel amor mude.
14
Fecho os olhos languidamente
Quando sinto Sua face ardente
O suor escorre em minha pele
E o furor agita o corpo dele.
Amiga, traz Quem matou Keshi
Para que comigo desfrute
Ficarei louca de esperar
Que seu volúvel amor mude.
15
Eu arrulho tal como um cuco
Nesse rito que Ele conduz
Meu cabelo se despenteia
E Suas unhas marcam Meus seios
Amiga, traz Quem matou Keshi
Para que comigo desfrute
Ficarei louca de esperar
Que seu volúvel amor mude.
16
Minhas tornozeleiras tinem
E o cinto cai na hora do clímax.
Ele levanta o meu cabelo
Para me cobrir com seus beijos.
Amiga, traz Quem matou Keshi
Para que comigo desfrute
Ficarei louca de esperar
Que seu volúvel amor mude.
17
Recordo o tempo da paixão,
Meu corpo como sua grinalda
E os Seus olhos semicerrados:
O meu amor lhe satisfaz.
Amiga, traz Quem matou Keshi
Para que comigo desfrute
Ficarei louca de esperar
Que seu volúvel amor mude.
18
Jayadeva celebra a fantasia de Radha
De realizar o amor com quem castigou Madhu
Possa esta estória da solitária vaqueira
Propagar o prazer dos seus doces folguedos
19
A sedutora flauta nas Suas mãos
Repousa sob olhares acanhados
O suor do amor escorre no Seu corpo
E tem no rosto um sorriso encabulado.
Quando Krishna vê que O vejo
Brincando nesta floresta
Entre paisagens tão belas
Sinto o sabor do desejo.
20
O vento vindo do jardim do lago
Que agita os brotos da frondosa Açoka
Entre cachos de flores escarlates
Só atiça um fogo para me queimar.
Esta verde cordilheira
Com suas mangueiras floridas
Onde zumbem as abelhas
Já não me diz nada, amiga.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Bhaja-Krishna-nidhim (vraja-raja-sutastakam)



Adore simplesmente o tesouro negro que é o filho do rei de Vraja. Ele exibe uma cor que rivaliza com a das nuvens recentes, e é o reservatório de todos os sabores transcendentais e o monarca supremo dos heróis românticos. Sua cabeça está auspiciosamente coroada com uma bela pena de pavão inclinada.