sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Carta de Srila Prabhupada


Ao Senhor Padampat Singhania
Kamla Tower
Kanpur

Caro Shri Padampat Ji,

Em continuação à minha carta passada, que eu espero você tenha recebido no devido tempo, e em referência a seu pedido de submeter-se ao método do poderoso Mantra, para propagá-lo pelo mundo inteiro, eu tomo a liberdade de informá-lo que em todo Mantra o prefixo de Namah está geralmente adicionado.

Por exemplo, outro dia você disse Namah Sivaya. Agora este Mantra está praticamente indicando os santos nomes do Senhor Shiva. O Na significa a negação e o Ma significa o falso ego ou o Ahamkara. Conseqüentemente, Namah significa render-se ao nome Shiva. Ou seja, aceitar a supremacia do Senhor Shiva, através de Namah Shivaya. Portanto, a conclusão é que o nome da deidade está inevitavelmente ligado ao Mantra.

E, no Mantra, o poder espiritual, semelhante ao dos Rishis, Narada, etc., é sobrecarregado, como no cobre eletrificado pela força magnética. Os alfabetos etimológicos são assim como que sobrecarregados com a potência espiritual e todos os Mantras que propagam o transcendental santo nome de Deus devem ser compreendidos dessa forma. Quando cantamos os Mantras como nos foram apresentados pelas autoridades, o processo ajuda na ligação com a Personalidade de Deus, pela propagação de vibrações sonoras, como temos experimentado neste mundo material de ondas de vibrações físicas. Os Mantras poderosos só tem tal potência se forem vibrados da maneira correta. E somente cantando Mantras alguém pode espiritualizar- se completamente nesta existência, assim como o calor pode propagar-se nos objetos esféricos. Mantra Siddhi significa liberação completa. Conseqüentemente, não há nenhuma diferença entre o santo nome e o Mantra. Man significa mente e tra, libertação. Isso que nos liberta da especulação mental é chamado “Mantra”. “Mantra Siddhi” é para transcender os planos mental, grosseiro e sutil.

Nesta era todos os Mantras que podem nos ajudar na perfeição de alcançar o plano do Deus, foram concentrados mais ainda no Harinama. Encontramos no Bhrihannaradiya Puranam (38/126) uma ênfase particular sobre Harinama, que é vibrado da seguinte forma:

Harinama Harinama Harinama eva kevalam Kalau nastyeva nastyeva nastyeva gatir anyatha

A afirmação acima é muito significativa, da seguinte forma: Há dois processos diferentes para adquirir o conhecimento. Um é o Processo Dedutivo e o outro é o Processo Indutivo. No Processo Dedutivo nós deduzimos a conclusão da indicação de umas autoridades mais elevadas, visto que pelo Processo Indutivo nós fazemos uma pesquisa da verdade através do nosso próprio conhecimento imperfeito e induzimos uma conclusão. Digamos, por exemplo, que se nós queremos saber se o homem é mortal então nós temos que fazer uma pesquisa nas estatísticas de ocorrências diárias da morte. Rama morre, Shyama morre, o pai morre, a mãe morre, ele morre, ela morre, etc.

Todas estas experiências podem nos ajudar na conclusão de que todo o homem morre e, conseqüentemente, o homem é mortal. Mas a falha deste processo do conhecimento é que pode ser que nós não venhamos a ver uma pessoa que esteja vivendo, ainda mesmo após alguns milhares de anos. Assim que obtermos esta informação que a conclusão final é que um homem é mortal está na mudança, nós temos que dizer que alguns homens são mortais. Desta forma o trabalho de pesquisa do pensamento científico está mudando constantemente, porque o verdadeiro trabalho de pesquisa é feito por uma pessoa que está condicionada pelos quatro princípios, do erro, de iludir-se, de iludir e da imperfeição dos sentidos. Conseqüentemente, o processo dedutivo é mais eficaz.

Que o homem é mortal nós ouvimos das fontes genuinamente autorizadas como os Vedas, e nós o aceitamos. Nos Vedas a palavra fezes é impura, mas as fezes da vaca são puras. Nos Vedas a palavra osso é intocável, mas a concha de um molusco (búzio), que também é um osso, é perfeitamente pura. Para o homem comum as indicações dos Vedas parecem ser contraditórias. Mas, apesar de tal contradição, nós Hindus aceitamos os Vedas, enquanto as nossas autoridades aceitam o esterco de vaca como puro e permite que seja usado mesmo na cozinha. Assim, também, nós aceitamos a concha de um molusco. Concha de molusco é, no final das contas, um osso de um animal, mas porque é aceito pelo Vedas permite-nos que a concha seja usada no santificado templo das deidades.

Se os examinarmos num laboratório físico ou os analisarmos pelo teste químico nós não encontraremos nenhuma diferença entre as fezes de um homem e a de uma vaca ou o osso de um boi e o de uma concha. No entanto os Muçulmanos e Hindus opõem-se totalmente. Todo o esforço de Gandhi e Jinnah e toda a questão do problema de Kasmir na UNSCO levantaram-se somente por causa desta diferença insignificante dos ossos. No templo Hindu, o búzio de osso já estava lá, mas assim que um Mohamudan jogou um pedaço de osso de boi no templo, o problema todo começou, tendo como resultado a divisão da India e do Paquistão. Assim, um estudante mundano imparcial, que participe do trabalho de pesquisa de tais casos de ossos, nos anais da história indiana, certamente chegará à conclusão de obediência irrestrita às palavras dos Vedas, ou do Al Corão, ou da Bíblia, que conduzem a todas as sortes de Jehad e de guerras religiosas. De fato, as pessoas assim chamadas de inteligentes da era moderna, defenderam-se do secularismo na resistência de feudos religiosos desafortunados do passado. Este é um outro tipo de absurdo. Conseqüentemente, nesta era atual, o respeito para com o Processo Dedutivo vem degradando-se, visto que o respeito para o Processo Indutivo está aumentando, embora saibamos que a pesquisa Indutiva é parte de um processo que não foi bem sucedido. A conclusão é que nós perdemos nossa fé no conhecimento tradicional Védico, repassado na descendência do Guru ao Chela ou do pai ao filho, embora tal sistema do conhecimento dedutivo autorizado seja a forma mais perfeita de conhecimento. A verdade final está distante, além do alcance de nossos sentidos imperfeitos, a qual pode nunca vir a ser conhecida através de tal trabalho de pesquisa indutiva. Os sentidos imperfeitos não poderiam nem mesmo medir a distância do produto físico “O Sol” ou contar as inumeráveis estrelas diante de nós, e tampouco tais sentidos imperfeitos podem fazer uma pesquisa nos Mantras, que são assuntos puramente espirituais. Nós temos que aceitar o Mantra e sua potência das fontes Védicas, e seguir a prática e os princípios, com intuito de alcançar a realidade da verdade. O trabalho de pesquisa realizado por sentidos imperfeitos praticamente vai de encontro à verdade estabelecida. Permita-nos, portanto, aceitar a injunção Védica de Brihannaradiya Puranam.

Eu já falei sobre este Mantra em minha carta anterior, e imploro para confirmares a propagação do Nome “Krishna”, da mesma forma como se propagam as denominações estrangeiras Deus e Allah. Se todos contemplarem a Suprema Personalidade de Deus - cujo Nome é absolutamente santo e potente, tanto quanto perfeito é o Senhor Supremo – é porque, tanto no Reino Absoluto ou na Natureza Espiritual tudo é idêntico, porque tudo é qualitativamente espiritual e, portanto, puro, eterno, liberado e perfeito.

Para todas as finalidades práticas, se propagarmos sistematicamente o cantar dos santos nomes do Senhor, eu penso que ninguém, mesmo o fanático religioso, não fará objeção. Cada ser humano tem uma concepção da verdade suprema. Essa concepção é apresentada de alguma forma concreta. Se, portanto, o Muçulmano ou o Cristão se negarem a cantar o nome de Rama ou Krishna nós poderemos pedir que cante o nome de Allah ou de Deus, respectivamente, e eu penso, portanto, que não haverá nenhuma objeção, mesmo dos Budistas, se nós pedirmos simplesmente que cantem o nome do Senhor Buddha da forma tradicional.

A forma tradicional significa evitar as dez ofensas distintas no processo de cantar, as quais são todas verdades filosóficas.

Se, por tal propagação de cantar os santos nomes de Deus, a atmosfera contaminada de aflição, brigas, egoísmo, falsidade e outros tantos incidentes desta era moderna puderem ser evitados, e se tal processo completo de auto-realizaçã o ao cantar puder ser conseguido, é nosso dever não medir esforços para este trabalho. Nesta era de desentendimentos e desavenças tudo tem que ser feito pelo esforço, para se conseguir sucesso imediato. Como a personalidade mais alta de uma grande indústria, sua boa personalidade sabe melhor do que eu como os esforços e as energias diversas fazem da indústria particular um estabelecimento bem sucedido.

Da mesma forma temos que combinar as diversas forças da Sociologia humana, do dinheiro, da inteligência e de fazer do movimento espiritual um grande sucesso. Se não fizermos o que é nosso dever não estaremos servindo ao Todo Completo. Nenhum serviço parcial ou benefício provisório podem conduzir-nos à perfeição. O mundo é louco mas, depois, tal benefício provisório e o serviço parcial são nosso dever, para mudar completamente este modelo atual para um movimento espiritual autorizado. Outro dia eu estava muito contente de ouvir suas idéias sobre isto e em nossa reunião seguinte eu desejo dizer-lhe alguma coisa sobre como eu a tenho realizado.

Esperando que você esteja bem. Com minhas reverências.

Atenciosamente,
Goswami Abhay Charan Bhaktivedanta
Editor de “DE VOLTA AO SUPREMO.“
Cante os nomes de Rama, de Krishna, de Allah, de Deus ou de Buddha.


Tradução: Pariksit Das

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