sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Por que não amar Krishna?


Como pode uma pessoa, em sã consciência, não amar alguém que nos fornece o ar vital e energia?
Como pode alguém não amar Àquele que esfria a noite fazendo crescer o alimento que nos dará força para um novo dia?
Como pode alguém não amar a Pessoa que produz o calor que aqueçe o nosso corpo, livrando-o da hipotermia?
Como pode uma pessoa não amar ao Pai, criador e mantenedor da nossa vida, parceiro constante, testemunha da nossa dor e alegria?
Como pode alguém não amar à Pessoa que, apesar da nossa rebeldia, está sempre nos desculpando, protegendo e inspirando, sem no entanto, cobrar absolutamente nada pela Tua cortesia?
Como pode uma pessoa não amar Àquele que criou um belo mundo de cores, odores, águas, matas, sons e sabores, especialmente para os que não desejavam a Tua companhia?
Como pode uma pessoa, em sã consciência, não amar a seu único amigo, Aquele que nunca dorme; jamais acorda, pois tem sempre os olhos abertos em vigia?
Como pode alguém não amar a Pessoa que nos deu a vida, e que a mantém dia após dia?
Como pode alguém não amar Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, a Pessoa que mais nos ama todavia?
Krishna Mayi D.D

"Eu sou o sabor da água, a luz do Sol e da Lua, a sílaba om nos mantras védicos; Eu sou o som no éter e a habilidade no homem. Eu sou a fragrância original da terra e sou o calor no fogo. Eu sou a vida de tudo que vive e sou as penitências de todos os ascetas. Eu sou a semente da qual se originam todas as existências, sou a inteligência dos inteligentes e o poder de todos os poderosos. Eu sou a força dos fortes, desprovida de paixão e desejo. Eu sou a vida sexual que não é contrária aos princípios religiosos. Eu sou tudo, mas Eu sou independente" Krishna (Bhagavad Gita 7.8 a 13)

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Krishna no Coração


Se alguém deseja ver Krishna sentado em seu coração, deve primeiro limpar o coração.
Srila Prabhupada

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Para dar o devido exemplo



Quando descende ao mundo material, a Suprema Personalidade de Deus em geral observa os deveres reguladores védicos para dar o devido exemplo à humanidade. O Senhor age por Sua livre e espontânea vontade, já que ninguém pode obrigar, forçar ou impelir a Suprema Personalidade de Deus. SB 11.18.36 sig

terça-feira, 25 de setembro de 2007

A Verdade Absoluta


O conceito de Deus e o conceito de Verdade Absoluta não estão no mesmo nível. O conceito de Deus indica o controlador, ao passo que o conceito de Verdade Absoluta indica o summum bonum, ou a fonte última de todas as energias. Não é possível uma divergência de opinião sobre o aspecto pessoal de Deus como sendo o controlador porque um controlador não pode ser impessoal. Evidentemente, o governo moderno, especialmente o governo democrático, é impessoal até um certo ponto, mas, em última análise, o chefe do executivo é uma pessoa, e o aspecto impessoal do governo é subordinado ao aspecto pessoal. De modo que indubitavelmente sempre que nos referirmos a um controle sobre outras pessoas teremos que admitir a existência de um aspecto pessoal...

Srimad Bhagavatam 1 (Introdução)

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Ver à luz do sol


A perfeição do serviço devocional puro é alcançada quando toda a atenção é voltada para o transcendental serviço amoroso ao Senhor. Cortar os laçõs de todas as outras afeições não significa a negação completa dos elementos mais refinados, como a afeição por outrem. Isso não é possível. Um ser vivo, quem quer que seja, deve ter esse sentimento de afeição pelos outros porque este é um sintoma de vida. Os sintomas de vida, tais como desejo, ira, ansiedade, sentimento de atração, etc., não podem ser aniquilados. Somente o objetivo tem que ser mudado. O desejo não pode ser negado, mas, no serviço devocional, o desejo é dirigido apenas para o serviço ao Senhor, em lugar de dirigi-lo para o gozo dos sentidos. Assim a chamada afeição pela família, sociedade, nação, etc., consiste de diferentes fases de gozo dos sentidos. Quando este desejo se converte em dar satisfação ao Senhor, ele se chama serviço devocional...
Esta devoção imaculada é a meta derradeira da vida. Nossa atenção é normalmente desviada para o serviço a algo que não é divino ou que não está no programa do Senhor. Quando o programa converte-se em serviço ao Senhor, isto é, quando os sentidos se purificam em relação com o serviço ao Senhor, chama-se a isto serviço devocional imaculado...

As relações da alma, estabelecidas em relação com a Alma Suprema, são relações verdadeiras. A relação da pele é a causa do cativeiro material, mas a relação da alma é a causa da liberdade. Esta relação da alma com a alma pode ser estabelecida através da relação com a Superalma. Ver na escuridão é não ver. Mas ver à luz do sol significa ver o sol e tudoo mais que era invisível na escuridão. Este é o caminho do serviço devocional. SB 1.8.42 Sig.

sábado, 22 de setembro de 2007

Quando a Ciência se Volta à Espiritualidade


Imagine um fazendeiro que ganha uma Mercedes Benz de presente. O único veículo que ele conheceu em toda a sua vida foi um trator, e a única função que ele conhece para os veículos é arar. Então ele engata na traseira de seu novo Mercedes um arado e começa a dirigir ao longo de suas terras. Como poderia se esperar, não só ele fracassa na sua tentativa de arar, como seu carro começa a apresentar vários problemas. Ele se torna totalmente frustrado – consigo mesmo, com seu carro e com sua fazenda.
“Ridículo”, nós diríamos sobre alguém usar uma Mercedes para arar. Mas poderia esta ser a história de nossas vidas? As escrituras Védicas – e as escrituras de todas as grandes religiões do mundo – dizem que a vida humana tem como objetivo adquirir, não prazeres materiais, mas realizações espirituais. As escrituras Védicas, com mais profundidade, explicam que o corpo humano é um veículo precioso que a alma obtém após transmigrar por 8.4 milhões de espécies. Em todos os corpos subumanos, a alma tem acesso apenas a prazeres materiais, através da satisfação das demandas do corpo de comer, dormir, acasalar e defender-se. Todo prazer material é trabalhoso para se obter. Mesmo quando obtido, ele não é satisfatório devido à limitada capacidade de o corpo desfrutar. E mesmo esse insignificante desfrute é interrompido por doenças, velhice e por fim pela morte.
Apenas no corpo humano é a alma evoluída o bastante para ter acesso a uma fonte de prazer superior – amor por Deus. As escrituras Védicas explicam que amor por Deus capacita a alma a atingir felicidade eterna no mundo espiritual, sua residência original. Atingir tal amor por Deus é o objetivo específico e exclusivo pelo qual a alma deveria usar o corpo humano.
Podemos comparar os corpos subumanos, que oferecem prazeres corpóreos fugazes, a tratores, que têm por fim arar a terra. E podemos comparar o corpo humano, que pode oferecer a alma felicidade interminável, a um fino Mercedes projetado para se passear com estilo. Usar o corpo humano para prazeres sensoriais não é muito diferente de usar um carro esportivo para arar.
Porque nós vemos a maior parte das pessoas ao redor de nós com metas matérias – sexo, riqueza, luxo, prestígio, poder, fama – nós tomamos tais metas para nós como o verdadeiro motivo da vida. Nosso comportamento, como no ditado, é de “Maria vai com as outras”. Mas o isolado fato de a maioria estar em um caminho, não faz dele correto.
Os Fatos Falam Por Si
Se uma Mercedes é usada para arar, obtém-se três coisas: um terreno estragado, um carro quebrado e um motorista frustrado. Analogamente, vamos ver o que a ciência tem descoberto sobre usar o corpo humano apenas para se obter prazer sensual. Mais especificamente, o que acontece com o meio ambiente (o terreno), com o corpo humano (o carro) e conosco mesmos (o motorista)?
O meio ambiente - O biólogo E. O. Wilson, bem como vários outros cientistas, estudou a complexa interdependência entre várias espécies na biosfera. Ele afirma que toda espécie trás alguma contribuição para o ecossistema do planeta. Por exemplo, se a vegetação diminui, os herbívoros são afetados, e então os carnívoros também são. Mas ele descobriu que uma espécie não contribui para o ecossistema – a espécie humana. Se a espécie humana se tornasse extinta, não haveria praticamente nenhum problema para nenhuma outra espécie ou para o ecossistema. De fato, a extinção do homem resolveria a maior parte dos problemas ecológicos. A espécie humana é – de forma argumentável - a mais inteligência no planeta. Normalmente quanto mais inteligente o estudante, mais positiva é sua contribuição. Assim, por que, entre todas as espécies, nossa contribuição ao ecossistema não é a mais positiva, mas a mais negativa? Poderia isso significar que nossa contribuição deva ser em um nível acima do físico?
O corpo humano - Como atividades focadas principalmente no desfrute afetam o corpo humano? Fumar trás problemas respiratórios, beber trás problemas ao fígado, comer junk food e comida não vegetariana arruína o sistema digestivo, e sexo ilícito – que é o prazer carnal mais exageradamente incentivado – trás a AIDS, uma epidemia para a qual não há solução. A mídia, sociedade e educação atuais nos doutrinaram de forma a fazer com que acreditemos ser o prazer material a meta da vida. Será que não estaríamos terrivelmente confusos ao utilizar o corpo humano em atividades para as quais ele não foi feito?
Nós mesmos - E quanto aos efeitos sobre nós mesmos? Cientistas continuam engatinhando no conhecimento acerca do que é o eu. Mas uma coisa é certa: quanto mais à sociedade moderna negligencia ou rejeita o desenvolvimento espiritual, em mais problemas se enreda o eu. Nossos crescentes problemas psicológicos tornam isso evidente.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou que as doenças psicológicas – stress, depressão, vícios, problemas psicossomáticos – serão o maior problema de saúde no século atual. Ainda pior, as estatísticas da OMS mostram que mais de um milhão de pessoas cometem suicídio anualmente. O que é maior que o numero mortes anuais por crimes e guerras combinados. E este número é a apenas o número de suicídios reportados.
Doenças psicológicas e suicídios têm muitas causas. Mas a origem mais comum para ambos é a frustração de não conseguir obter uma meta estabelecida, seja lá qual for. Quando essa frustração alcança um nível elevado de sofrimento e ansiedade, a pessoas sente sua existência como uma grande agonia; e o fim da própria existência parece ser a única solução. O que acontece para que nós, humanos modernos, os mais inteligentes entre todas as espécies, sejamos a única espécie cujos membros cometem suicídio em números tão alarmantes? A OMS chama o suicídio de “um trágico problema de saúde social” e afirma não haver cura comprovada para ele. Será que as metas que a sociedade traça para nós são incompatíveis para conosco e invocam a frustração que nos direciona a problemas psicológicos, tendo como fim derradeiro o suicídio?
Só Acredita Vendo?
Como canalizar a energia humana para a elevação spiritual afeta o ecossistema, a saúde humana e o eu? Vejamos o que diz a ciência.
Ecologia - A maior parte dos problemas ecológicos surgiu do materialismo e do consumismo que acompanham o decline da espiritualidade e sua inerente auto-restrição. Por conseguinte, a citação que segue de Alan Durning, do instituto World Watch, representa o que muitos cientistas consideram como sendo a única esperança para salvar o meio ambiente: “Em uma frágil biosfera, o destino último da humanidade depende da possibilidade de cultivarmos um profundo senso de auto-restrição, que precisaria ser amplamente difundido por uma ética que limitasse o consumismo e incentivasse a busca por enriquecimento não material”. Todas as formas de enriquecimento não material – oração, yoga, meditação, cantar dos santos nomes – claramente apontam a uma dimensão espiritual de vida. E tal dimensão espiritual é explicada da forma mais compreensível nas escrituras Védicas. De fato, o Vedanta-sutra começa com uma invocação clara e direta: athato brahma jijñasa. “Agora, portanto, [agora que você tem um corpo humano], devote-se a inquirir sobre tópicos espirituais”. (Vedanta-sutra 1.1)
Saúde humana - A atual epidemia da natalidade descontrolada mostra que as injunções das escrituras relacionadas à auto-restrição – sobriedade (não intoxicação) e castidade (não sexo ilícito), por exemplo – têm sua função, também, como auxiliadores da saúde pública. Herbert Benson da Escola de Medicina Harvard, citando sua extensa pesquisa sobre os benefícios físicos e mentais da vida espiritual, afirma que o corpo e a mente humanos estão “ligados a Deus”. Também em Reader’s Digest (Janeiro de 2001), foi publicada uma pesquisa que afirma que as pessoas que acreditam em Deus vivem em média onze anos a mais do que aquelas que não acreditam.
O eu - E quanto ao eu? A ciência fez uma preciosa descoberta: espiritualidade é certamente um afago para o eu. Pesquisas e mais pesquisar têm demonstrado que práticas espirituais afastam as pessoas de hábitos e comportamentos auto-destrutivos. Patrick Glynn da Universidade George Washington escreveu em seu livro Deus: A Evidência que pesquisas mostram que aqueles que não freqüentam grupos de oração são quatro vezes mais propensos a cometer suicídio do que aqueles que o fazem.
E mais. Uma pessoa parar de freqüentar tais reuniões foi descoberto como o melhor indício de que tal pessoa suicidará, até mesmo mais preciso do que o desemprego. Essas descobertas indicam que a espiritualidade trás prazer interior, que liberta as pessoas do insaciável e incontrolável desejo por prazeres externos que levam as pessoas a vícios e a suicídio posteriormente. Tais descobertas inspiraram alguns pensadores modernos a concluírem o que os Vedas concluem: que a espiritualidade não é parte de nossa vida, mas a essência de nossa vida. Stephen Covey, famoso autor da série Sete Hábitos das Pessoas Eficazes, apropriadamente elucida: “Não somos seres humanos em uma jornada espiritual. Somos seres espirituais em uma jornada humana”.
O que Estamos Esperando?
A ciência está claramente mostrando que a vida humana, quando usada para o desfrute material, é ecológica, física e espiritualmente desarmoniosa, desastrosa. A ciência também está indicando com muita ênfase que quando nos esforçamos em buscar a felicidade espiritual, nós beneficiamos nosso planeta e nosso corpo também. As escrituras védicas nos oferecem um balanceado programa de regulação material e crescimento espiritual para que alcancemos o mais alto potencial da vida humana. O Bhagavad-gita (6.17) afirma que ser regulado quanto a comer, dormir, trabalhar e divertir-se, acompanhado com as práticas espirituais, pavimentam o caminho para a liberação de todas as misérias materiais. A mais prática e poderosa prática espiritual para a atual era moderna é o cantar do Maha-mantra Hare Krsna. Por se cantar, podemos alcançar um estado de felicidade que irá nos satisfazer plenamente, e nós não ficaremos perturbados por situação material, nem mesmo pela mais caótica das situações materiais. (Bhagavad-gita 6.22)
É hora de parar de usar a Mercedes para arar. Está na hora de colocar nosso veículo humano na marcha do cantar de Hare Krsna. Assim poderemos acelerar pela auto-estrada do serviço devocional, de volta a nossa morada há muito esquecida, junto a Krsna. De volta ao lar, de volta ao Supremo.

Por Caitanya Carana dasa
Volta ao Supremo [Back to Godhead] – Vol. 41, No 3 • Maio / Junho 2007
Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O Encantador Humor de Srimati Radharani


Uma oferenda a Srimati Radharani

Srimat Radharani, a mui amorosa contraparte feminina do Supremo, é a pessoa, em toda a existência e parte, que melhor sabe como expressar amor por Krsna. Ela é o supremo reservatório de amor por Krsna, e, como tal, Ela é conhecida como a categoria asraya. Mais além, é Ela quem, como uma mãe, ocupa-nos em serviço devocional.
Krsna, o objeto de Amor de Radha, aparece uma vez a cada dia de Brahma para exibir e desfrutar de Seus passatempos. Ao fim de tais passatempos, todavia, Krsna se deparou com três desejos não satisfeitos, e realizar tais íntimos desejos é razão primordial para que Ele retornasse como Sri Caitanya Mahaprabhu.
Srimati Radhika é a única munificente causa de Krsna não conseguir satisfazer todos os seus desejos. Dessa forma, Vrishabhanu- nandini [Radharani] dá a Ele o maior presente de todos... E a todas nós, Suas incontáveis jivas.
A fim de melhor entendermos tais desejos, lembremo-nos que bem-aventurado êxtase transcendental é chamado bhava. Quando bhava se torna condensado, é chamado de mahabhava. Srimati Radhrani é o mais alto e concentrado êxtase da bem-aventurança em pessoa.
Krsna, é claro, também está desfrutando de bem-aventurança. Ele desfruta da bem aventurança de ser o objeto de amor dEla. Todavia, Ele se dá conta que a morada do amor, Srimati Radharani, a categoria asraya, está desfrutando de uma bem aventurança dez milhões de vezes maior do que a dEle! Radharani estava sentindo mais prazer transcendental em Sua companhia do que Ele podia entender, e então Ele decidiu, Ele mesmo, experimentar tais emoções bem-aventuradas. Todavia, para Krsna, desfrutar da posição de Srimati Radharani, era impossível, porque aquela posição era totalmente desconhecida por Ele. Krsna é o homem transcendental, a contraparte masculina do Supremo. Radharani é a mulher transcendental, a contraparte feminina de Deus. Como resultado, Krsna não poderia satisfazer Seu desejo a não ser que Ele mesmo assumisse a posição da categoria asraya. Assim, a fim de experimentar os bem-aventurados sentimentos de Srimati Radharni, e sentir o prazer da categoria asraya, o Senhor Krsna apareceu como Sri Caitanya Mahaprabhu.
Desde então há uma constante competição entre Srimati Radharani e o Senhor Krsna para ver quem consegue aumentar mais a intensidade do amor que cada um sente pelo outro.
Ela aumenta, Ele aumenta, Ela aumenta... não há fim para isso. Nenhum deles quer ser derrotado quanto a amar mais intensamente. Similarmente, a beleza do Senhor Krsna aumenta quando Ele vê a beleza das vaqueirinhas. De forma concomitante, quando mais as vaqueirinhas vêem a beleza do Senhor Krsna, mais a beleza delas aumenta. Assim acontece a competição entre Eles, na qual nenhuma das partes conhece derrota.
Agora Krsna se torna curioso. Ele pode entender esta competição amorosa do seu ponto de vista, mas Ele não entende o que está acontecendo na mente de Srimati Radharani. Ele passa a desejar entender o que acontece do outro lado desta competição amorosa, e deseja entender essa troca amorosa do ponto de vista de Radha. Ele se torna muito curioso quanto às atividades mentais de Srimat Radharani e à atitude dEla neste amor sempre crescente.
Agora, para o Senhor Krsna, as atitudes mentais de Srimat Radharani não são algo tão difícil de se estudar, porque as atividades mentais dEla estão passeando lá fora vestidas com diferentes saris. Srimati Radharani expande Sua atitude mental como Suas amigas íntimas, as gopis, as quais concentram todas as suas atividades nos passatempos de Krsna. Como expansões da forma pessoa de Radhika, elas são agentes para que se possa reciprocar diferentes sentimentos amorosos nos passatempos de Krsna.
Dessa forma, Srimati Radharani e Suas leais servas decidiram ajudar Krsna fundando uma escola para Ele na beira do Radha Kunda. Radha é a reitora de tal escola sem parentesco, enquanto Lalita e Visaka são as diretoras. É com a ajuda delas que o único aluno, Krsna, irá estudar com todas as sakhis que são as personificadas expansões das atividades mentais de Srimati Radhika.
Quando o curso é finalizado, é a hora de Krsna fazer Seu exame final, que é aplicado por Srimati Lalita Devi. Krsna passa no exame com sucesso.
Todavia, Lalita Lhe informa que tal sistemático estudo acadêmico não é o bastante. Se Ele realmente quiser apreciar plenamente as atividades mentais de Radha, experiências práticas serão necessárias.
Novamente, tal experiência não é possível a não ser que Ele definitivamente aceite a posição da categoria asraya. A atração de Radharani por Krsna é sublime, e para experimentar tal atração e para compreender Sua própria doçura, Ele teria de pessoalmente aceitar a mentalidade de Radharani. Consequentemente, a fim de apreciar por completo as atividades mentais de Srimati Radhika, Ele aparece como Sri Caitanya Mahaprabhu.
Krsna é a personificação da beleza conjugal. Em certo momento, em Dvaraka, Ele vê Sua beleza refletida em uma fonte de cristal, ao que Ele diz, “Minha mente, atônita vendo tamanha beleza, impetuosamente deseja desfrutar dela da mesma forma que Srimati Radharani o faz”. A beleza do Senhor Krsna atrai o próprio Krsna. Todavia, por não poder desfrutar de Sua beleza plenamente, Sua mente cai em profunda lamentação.
Assim, para gozar de Sua beleza como faz Radharani, Ele aceita a posição da categoria asraya, aceitando as emoções e desejos corpóreos de Srimati Radharani, e aparece como Sri Caitanya Mahaprabhu.
Desse modo, a causa primária para a vinda de Krsna como Sri Caitanya Mahaprabhu é provar os três humores de Srimati Radhika, os quais só Ela podia provar. Ele, então, pegou emprestado o humor interno e beleza dEla, e se tornou tadatma com Ela. Tornando-se tadatma com Radhika, Ele se esquece ser Krsna, e pode desfrutar como Ela.
Alguns detalhes correlatos aparecem em uma nectária história contada por Sua Santidade Gour Govinda Svami. Esta história revela a origem do último verso do Sri Siksastaka.
Um dia, Srimati Radharani havia decorado belamente o kunja com a ajuda de Suas servas. Com grande antecedência, elas estão esperando pela chegada de Krsna no horário marcado para o encontro. Todavia, Krsna não aparece. Elas esperam e esperam, mas Krsna não aparece. Radha está começando a entrar em Seu humor emburrada, e também começa a chorar, e então uma mensageira [dyuti] é enviada para achá-lO. Pelo caminho, a dyuti encontra com uma serva de Candravali que com muito desfrute reporta estar Krsna no seu kunja e não no de Radharani. Quando a dyuti retorna, ela leva a Lalita e a Visaka a notícia, as quais por sua vez levam a notícia até Srimati Radharani. Nesse momento, o humor de ficar emburrada de Radharani atinge seu ápice, e Ela proíbe Krsna de entrar em Seu kunja. E Ela chora, chora, chora.
Radharani diz, “Eu não quero que Krsna venha. Não deixem Ele entrar no Meu kunja. A entrada dEle está proibida!”.
Quando Krsna finalmente chegou, algum tempo depois, Lalita e Visaka estavam de guarda na entrada e O pararam. Elas impediram Sua entrada e com palavras ásperas Lhe disseram para “dar o fora dali”. Ele suplicou permissão para entrar, mas sem sucesso. Visakha, que é mais dura que Lalita, foi especialmente severa com Ele neste momento. Ele teve de dar meia volta e ir embora.
Krsna foi, então, para a beira do Yamuna. Melancólico e desapontado, Krsna não sabia o que fazer. Ele havia ido para o kunja de Candravali unicamente para aumentar o humor de emburrada de Radharani que Lhe dava tanto prazer. Ele queria a oportunidade de ter a associação dEla naquele Seu mal humor ímpar, mas Seu plano saiu pela culatra. E agora? O que fazer, o que fazer?
Nesse meio tempo, Vrndadevi [Tulasi] fica sabendo da difícil situação de Krsna, então ela trás para Ele um solução.
Ela diz a Ele que Ele deve mudar completamente Sua aparência, aceitar a posição de um mendicante Sannyasi, e cantar uma canção especial. Ela disse que Ele deveria raspar Sua cabeça, se livrar daquelas vestes de vaqueirinho e vestir roupas de Sannyasi; deveria parar de curvar Seu corpo em três partes, abandonar Sua flauta e pena de pavão e aprender a canção que Ela Lhe ensinaria... E assim, talvez, haveria alguma esperança.
Quando Vrnda disse isso, imediatamente aquela forma apareceu ali. Krsna tomou aquela forma de Sannyasi descrita, com a cabeça raspada e com compleição de ouro derretido. Nada de pena de pavão, flauta, ou corpo curvado em três pontos. Ele apareceu de repente ali, como um Sannyasi. Vrnda então ensinou a Ele a cantar uma bela canção em glorificação a Radha, cuja última linha dizia que “hoje Kana, Krsna, está indo de porta em porta mendigando por radha-prema, radha-prema, radha-prema”.
Então, cantando, Krsna voltou ao kunja, e Lalita e Visaka ficaram muito alegres por verem tão bem-aventurado Sannyasi e por ouvirem sua belíssima canção.
Quando elas perguntaram a Ele o que queria, o Sannyasi respondeu, “Eu não tenho nada, Eu sou um mendicante. Eu vim aqui para ter radha-prema, radha-prema. Eu sou um prema-bhikhari. Eu mendigo
prema.
Então Visakha levou o Sannyasi para dentro do kunja. Ela pediu a Ele, “O Senhor poderia, por favor, cantar novamente aquela canção que o Senhor estava cantando?”.
Krsna, assim, cantou aquela canção em glorificação a Radha. “Hoje Kana é um bhikari. Ele é um mendicante indo de porta em porta mendigando radha-prema”.
Quando Radharani ouviu essa linha, Ela respondeu:
aslisya va pada-ratam pinastu mamadarsanan marma-hatam karotu vayatha
tatha va vidadhatu lampatomat-prana- nathas tu sa eva naparah
Sua resposta à canção de Krsna é o que conhecemos como o verso final do Siksastaka. É a expressão de um sentimento muito profundo de Srimati Radhika.
Logo em seguida, o Sannyasi teve a audiência de Radhika, e vendo Radha, a forma tri-bhanga-lalita de Krsna imediatamente voltou. A forma de Sannyasi desaparecera.
Visaka ficou absolutamente abismada. Ela disse: “O que é isto? Primeiramente eu vi Você como um Sannyasi, mas agora O vejo como Syamasundara, o jovem vaqueiro. Eu vi Você semelhante a um boneco de ouro, com todo o Seu corpo coberto por um desejo dourado. E agora vejo Você segurando uma flauta junto a Sua boca, com Seus olhos de lótus movendo-se sem parar devido a variados êxtases”.
Bem mais tarde, na Caitanya Lila, Visaka aparece como Ramananda Ray. Em dado momento, o Senhor Caitanya exibe a Ramananda Ray Sua forma como Syamasundara, e o que acontece? Ramananda desmaia. Por quê? Como Visaka, Ele viu a metamorfose de um Sannyasi dourado para a forma de Sri Syamasundara, e, novamente, Ele vê a mesma transição! Ele desmaia.
Radharani estava chorando, e depois que o Sannyasi se revelou como sendo Krsna, Visakha afirmou: “Um dia, Você terá de chorar como Ela”. E esse dia chegou em Gambhira, quando, como Sri Caitanya Mahaprabh, o Sannyasi dourado, Ele chorou. Não só isso, mas Visaka [Ramananda] e Lalita [Svarupa Damorada] estavam lá para ajudá-lO a entender como chorar – exatamente como chorara Srimat Radhika.
Com o intuito de estudar Radharani, Krsna viveu o papel dEla e tentou entender a Si mesmo. Este é o segredo do nascimento do Senhor Caitanya.
Conclui-se assim, que o a razão interna primordial para Krsna vir como Gaura é entender as glórias do amor de Radha por Ele.
A segunda razão para sua vinda, é trazer com Ele um presente inigualável para este mundo. É um presente muito especial que é muito bem explicado no famoso verso que segue:
anarpita-carim cirat karunayavatirnah kalausamarpayitum unnatojjvala- rasam sva bhakti-sriyamharih purata-sundara- dyuti-kadamba sandipitahsada hrdaya-kandare sphuratu vah saci-nandanah - Caitanya-caritamrta Adi-lila 1.4
“Que aquele Senhor, conhecido como o filho de Srimati Sacidevi, esteja transcendentalmente situado na parte mais íntima de seu coração. Resplandecente como a refulgência de ouro derretido, Ele apareceu na era de Kali por Sua misericórdia sem causa para nos dar o que nenhum outro avatara jamais ofereceu – serviço a Srimati Radhika como Sua serva confidencial” .
Este verso é o mangalam caranam para todo o Sri Caitanya Caritamrta, e tudo o mais que há escrito livro é para explicar esse verso.
Srimati Radhika tem um humor muito extático: “Eu quero Me tornar serva daquela pessoa que pode satisfazer Krsna ao máximo. Eu Me tornarei sua serva”. Essa doçura é o encantador humor de Radharani.
O humor de Radhika tomou várias formas – Rupa Manjari, Rati Manjari, Labanga Manjari, Kasturi Manjari. O encantador humor de Radhika tornou-se várias vaqueirinhas. Todavia, essas particulares servas de Radhika têm apenas um humor: que é Radhika em pessoa quem deve se encontrar com Krsna, porque é Ela quem pode dar prazer pleno a Ele, mais que qualquer outra. É ela quem elas querem servir. Essa propensão é chamada unnatojjvala rasam sva-bhakti-sriyam – o encanto do humor de Radharani, ou então conhecido como manjari-bhava.
Quando Krsna se torna influenciado pela compaixão e misericórdia do coração de Radha, nasce nEle o desejo de distribuir a todas as jivas o mais elevado humor de amor por Deus que pode ser dado, que é o serviço no humor das manjaris.
O desejo de dar ao mundo este presente inigualável é a segunda razão interna para Sua vinda como Sri Gaurasundara. A primeira razão interna é para experimentar o humor de Radha, e a segunda é distribuir o serviço neste humor. Em outras palavras, Ele vem para experimentar a bhava de Radha, e para dar a beleza de Radha.
O brilho de unnata-ujjvala- rasa é sem paralelo, e todos os misericordiosos acaryas de nossa Gaudiya sampradaya vieram a este mundo para ensinar-nos este encantador humor de serviço das servas de Srimati Radharani.

Por Anantacarya dasa (ACBSP)
Tradução por Bhagavan dasa (DvS)