segunda-feira, 9 de julho de 2007

Felicidade interminável: possível?




Uma felicidade que seja interminável, sempre crescente, interessante e pura: Seria tal felicidade possível?
É possível encontrar felicidade neste mundo? Para muitos de nós, o que chamamos de “felicidade” é o alívio temporário de aflição, ou tristeza. Sem tristeza, não há, praticamente, significado para felicidade dentro de uma concepção material de vida.
Primeiramente, tudo aquilo que tratamos por “felicidade” depende, de certa forma, de algum sofrimento prévio. Nós desfrutamos ao comer porque sentimos a dor da fome; sem fome ou apetite, comer não nos daria nenhum prazer - não importa quão saborosa ou bem preparada seja a comida. Sentimos prazer em dormir, por encontrarmos alívio da fadiga; se se ordena a uma criança, que não está cansada, que “vá dormir”, isto é uma punição e não uma recompensa. Sexo é prazeroso devido à necessidade urgente de satisfazer nossa luxúria. Aqueles que desejam aumentar seu prazer sexual, necessariamente, desejam aumentar sua luxúria. Da mesma forma, na plataforma emocional, ter companhia passa a ser algo muito importante após termos experimentado o sentimento de solidão. Se examinarmos qualquer tipo de prazer material, constataremos que a experiência é prazerosa na mesma proporção em que trás alívio para algum sofrimento. O assim-chamado- prazer, não terá nenhum sentido se não houver sofrimento à priori, ou será, até mesmo, motivo para sofrimento. Para um estômago cheio, mais comida é motivo de aflição, da mesma forma que para uma pessoa descansada, ficar na cama é estressante. Portanto, “felicidade” pode ser definida como “a ausência ou alívio temporário de sofrimento”.
Nós precisamos sentir a falta do prazer para desfrutarmos dele – um complemento à definição. O prazer neste mundo diminui com a exposição ao objeto fonte-do-prazer. Se comermos nossa comida favorita – pizza, por exemplo – no café da manhã, no almoço e na janta, em poucos dias, ou em algumas semanas, não só deixaremos de obter prazer comendo pizza, mas iremos odiar pizza. Uma pessoa que esteja constantemente rodeada por outras pessoas, mesmo que sejam bons amigos, irá gradualmente deixar de sentir prazer em suas companhias e desejará um tempo sozinho. Todo prazer material, portanto, exige um “afastamento” para que se experimente sua ausência. Esse ciclo é designado em sânscrito como “bhoga-tyaga”: o desfrute e em seguida a abstinência de tal desfrute.
O ciclo de desfrute e abstinência do desfrute pode ser percebido em nosso revezamento entre trabalho e férias, comer e não comer, e assim por diante. Simplesmente não há nenhum tipo de atividade que vá dar prazer da mesma forma e intensidade continuamente – é preciso que aconteçam alguns momentos de abstinência para reavivar o apetite de antes, e mesmo assim, o prazer tende a diminuir.
Todavia, o tipo de felicidade descrita acima não é a única que existe. Evidencia disso é que nós, seres humanos, desejamos uma felicidade que não exija abstinência e que não coexista com sofrimento. Nós escrevemos, cantamos e sonhamos com uma felicidade que permaneça eternamente, que seja sempre intensa e crescente, e que não acompanhe nenhuma forma de sofrimento.
Nossas músicas românticas estão sempre prometendo a felicidade eterna, que cresce ao longo do tempo, e nós imaginamos que isso seja nosso progresso ao longo da vida: nos formar, constituir família, conseguir dinheiro e outros itens e realizações. Essas músicas fazem com nossa idéia equivocada de satisfação e felicidade cresça.
Por que desejamos uma felicidade interminável, sempre crescente e que não seja concomitante com nenhuma tristeza, em um mundo que não demonstra nenhuma posição favorável a satisfazer tal desejo? Em outras palavras, se tal felicidade não existe, por que alguém buscaria por ela?
A resposta é que não somos deste mundo, senão que somos seres espirituais eternos, excepcionalmente condicionados em um corpo material em um mundo material. Nós temos, gravadas em nossas lembranças, diversas trocas de amor que compartilhamos com Deus, trocas amorosas que são, de fato, sempre crescentes em êxtase, e que crescem eternamente sem uma gota sequer de sofrimento. Nós buscamos e glorificamos tal felicidade porque é natural para nós, embora não visível no momento. Um animal natural da floresta, temporariamente em um deserto, desejará sombra e água, enquanto que um animal do deserto pode viver sem isso (alguns animais adquirem das plantas que comem toda a água de que necessitam), analogamente, nós, seres espirituais, buscamos arduamente a felicidade, que nos é inerente, mesmo nesta terra que visivelmente não a dispõe.
Claro que, com nossa constatação de que a felicidade é transitória e interdependente de tristeza, alguns concluiriam que toda felicidade se torna enfadonha e enfraquecida caso não tenha períodos de ausência da mesma ou períodos de aflição. Para aqueles que chegaram a essa conclusão seria impossível imaginar, não importando quanto tentassem, que seja possível existir um mundo perpetuamente feliz e nunca desinteressável. Eles consideram o assunto da felicidade espiritual como um mito, ou afirmam que a felicidade constante se tornaria insípida.
Entretanto, há muitas pessoas santas que descrevem a felicidade espiritual como dinâmica e variada. Essa felicidade é baseada em uma relação individual de amor com um Senhor ilimitado, Sri Krsna, que reciproca o sentimento de seus devotos com inesgotáveis arranjos e variadas atividades transcendentais. De fato, há muitos tipos de felicidade espiritual. Algumas delas parecem, externamente, com o que consideraríamos sofrimento – medo, aflição, ansiedade, etc. Devido à similaridade superficial entre esses avançados sentimentos de êxtase e o sofrimento material, muitas das elevadas atividades do Senhor e de Seus devotos são mal compreendidas, devido à projeção de nossas experiências materiais.
Não experimentamos diferentes variedades do mesmo prazer material? Pode-se, por exemplo, comer vários sabores de sorvete. Sorvete de creme é um pouco diferente do de leite condensado, que é radicalmente diferente do de morango. E se forem combinados diferentes sabores com diferentes coberturas, tem-se várias maneiras de se saborear um sorvete. A variedade de prazer espiritual é algo como sabores de sorvete e coberturas.
Os tipos de prazer decorrentes do amor a Deus podem ser entendidos, de certa forma, se examinarmos como as pessoas tentam ser felizes dentro da vida material. Não é raro que as pessoas paguem por filmes e livros que elas sabem que as deixaram assustadas, ou até horrorizadas. De alguma forma, nestas emoções que associamos a falta de felicidade, essas pessoas encontram alguma variedade de prazer.
Na verdade, o prazer que sentem não está nas emoções “negativas” em si, mas, simplesmente, na chance de esquecer os problemas de sua própria vida, ou na necessidade de ter emoções intensas, não importando o tipo.
Ainda que, por mais deturpada e infeliz que seja a busca por felicidade, por exemplo, em um filme de terror do tipo “carnificina”, o ponto é que há muita variedade até mesmo na forma em que as pessoas materialistas buscam por prazer. Por que seria a felicidade espiritual destituída de tal variedade? De fato, por ser o mundo material um reflexo do espiritual, o mundo espiritual tem muito mais possíveis trocas e nuanças amorosas, que, dinamicamente, intensificam o encanto daqueles que amam o Senhor.
Não há dúvidas que amor por Krsna, mesmo neste mundo, pode nos dar uma vida que é fascinante e inovador a cada momento, e na qual não há nenhum espaço para tristeza.
P/Urmila Devi Dasi
Tradução por Bhagavan dasa (DvS), Revisão por Bhaktin Celeste (DvS).

domingo, 8 de julho de 2007

Felicidade em consciência de Krishna


A felicidade que se obtem do serviço devocional puro é a mais elevada porque é eterna. Mas a felicidade que provém da perfeição material, ou da compreensão de que somos Brahman, é inferior por que é temporária. Não há como evitar cair da felicidade material, e há mesmo toda possibilidade de se cair da felicidade espiritual que obtemos por nos identificar com o Brahman impessoal... Mas uma pessoa que está totalmente em consciência de Krishna jamais regressará a nenhuma espécie de plataforma material. Por mais sedutoras e atrativas que sejam as diferentes plataformas materiais, o devoto sempre sabe que não se pode comparar nenhuma atividade beneficente material com a atividade espiritual da consciência de Krishna....

As pessoas que estão tolamente enamoradas do brilho frouxo do avanço materialista moderno acham que o movimento da consciência de Krishna é para pessoas menos inteligentes. Essas pessoas não sabem que a qualquer momento podem ser jogadas fora de sua situação material. Por ignorância, elas nãos abem que a vida verdadeira é eterna. Os confortos temporários do corpo não são o objetivo da vida, e é só por causa da mais escura ignorância que as pessoas ficam enamoradas do avanço vacilante dos confortos materiais.

Retirado do livro Néctar da Devoção.

sábado, 7 de julho de 2007

Suta Goswami disse:


" As águas do Ganges estão sempre transportando o sabor da tulasi oferecida aos pés de lótus de Sri Krishna, e como tal as águas do Ganges correm sempre, a espalhar as glórias do Senhor Krishna. Para onde quer que as águas do Ganges corram, tudo será santificado, tanto externa quanto internamente."

Caminhando pela Chapada - Parque Nacional


Para mais fotos visite o link Album de Fotos ao lado

sexta-feira, 6 de julho de 2007


Sua Divina Graça Sri Srimad Bhaktisiddhanta Sarasvati Goswami Maharaj, o célebre Acarya da Gaudiya Vaishnava falou as seguintes linhas como sua mensagem apenas alguns dias antes dele deixar este mundo, em 23 de Dezembro de 1936.

"Eu provavelmente causei muitos problemas à mente das pessoas. Algumas delas pensam que eu sou seu inimigo, pois fui instruído a falar a verdade concreta sobre serviço e devoção ao Senhor Supremo. Eu lhes dei todos estes problemas apenas pelo fato de que elas devem voltar suas faces à Personalidade de Deus, sem nenhum desejo de ganho ou devoção irrestrita. Eu espero que mais cedo ou mais tarde elas possam me compreender corretamente.
Eu aconselhei a todos pregar os ensinamentos de Rupa e Raghunatha com toda energia e recursos. Nosso objetivo último deve ser tornar-se a poeira dos Pés de Lótus de Sri Sri Rupa e Raghunatha Goswamis. Todos vocês devem trabalhar juntos, em cooperação, sob a guia de um Mestre Espiritual com a visão de servir ao Conhecimento Absoluto, a Personalidade de Deus. Vocês devem viver sem nenhuma desavença neste mundo mortal, apenas pelo serviço a Deus. Por favor, não desistam do serviço ao Senhor Supremo devido aos perigos, críticas e todo desconforto. Não se decepcionem com a maioria das pessoas do mundo que não servem a Personalidade de Deus, não desista de seu próprio serviço que é tudo que vocês têm e também não rejeitem o processo de ouvir e cantar os Nomes Transcendentais de Deus. Vocês devem sempre cantar os Santos Nomes de Deus com a paciência e a tolerância de uma árvore, tão humildes quanto uma palha.
Nós desejamos que toda a massa de carne e sangue do seu corpo possa ser sacrificada no altar de pregação do Movimento de Sankirtana propagado pelo Senhor Caitanya. Nós não temos o desejo de nos tornarmos heróis do trabalho ou de reforma de uma religião, mas nossa realidade deve ser identificada com a poeira dos Pés de Lótus de Sri Sri Rupa e Raghunatha, porque isto para nós é tudo. O fluxo das ondas transcendentais da atração pela devoção nunca deve ser interrompido e vocês, com toda sua energia, devem se tornar devotos para cumprir o desejo de Srila Bhaktivinoda Thakur. Existem muitos entre vocês que estão qualificados e são trabalhadores capazes. Nós não temos outro desejo. Irão existir muitas dificuldades enquanto permanecermos neste mundo mortal, mas não é nosso negócio simplesmente ser oprimidos por estas dificuldades ou tentar apenas superá-las. Nós temos que estar cientes de que, durante esta vida presente, o que iremos conseguir depois de superar todas estas dificuldades da vida é o que será conhecido como nossa existência permanente. Nós temos que fazer um ajuste para todas as coisas que despertam nosso amor e ódio, mesmo para aquelas que queremos e para as que não queremos.
Apego e desapego deste mundo material vai nos engajar mais e mais como temos nos tornado cada vez mais distantes dos Pés de Lótus de Sri Krsna. Quando nos tornarmos capazes de transcender a plataforma de apego e desapego neste mundo material e nos sentirmos atraídos pelos Santos Nomes do Senhor, é quando nós iremos compreender a importância do transcendental serviço amoroso ao Senhor Sri Krsna, a Suprema Personalidade de Deus. De imediato, o assunto "Krsna" nos assusta e nos deixa perplexos. Todos que são chamados pelo nome "Homem" estão mais ou menos em conflito, conhecendo-se ou não, para eliminar estes elementos que invadem e confundem nossa concepção da necessidade eterna. É nosso único dever entrar no Reino da necessidade eterna.
Nós não sentimos amor ou ódio por ninguém neste mundo mortal. Tosos os arranjos neste mundo são temporários. Existe, assim, uma necessidade inevitável para a necessidade última para todos neste mundo. Vocês devem se apegar e ter como objetivo o transcendental serviço amoroso a Krsna, estando situados em atividades conjuntas para este fim. Deixem fluir constantemente as idéias e pensamentos concedidos por Rupa Goswami e seus seguidores. Nunca devemos mostrar qualquer tipo de desprezo pelo Movimento de Sankirtana. Se mantivermos fé inabalável nele, então nós iremos alcançar toda a perfeição. Todos vocês devem pregar sem medo e com toda energia a mensagem de Rupa e Raghunath, sob a guia dos seguidores de Sri Rupa.

(traduzido do Bengali por Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, Revista de Volta ao Supremo, volume 1, 1944)

Enviado ao BF p/ Srimati Radharani d.d.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

A perfeição do yoga



A situação mais elevada da yoga é aquela em que nos situamos em bem aventurança espiritual por absorção no Supremo Eu, Sri Krishna. O termo técnico usado na yoga é samadhi, ou plena absorção no objeto buscado, Deus. Quando alcançamos o estado mais elevado da yoga naturalmente sentimos uma bem-aventurança transcendental. Uma bem aventurança que é impossível alcançar para pessoas que praticam o processo mecânico da yoga. A prática da yoga real requer que uma pessoa viva reclusa em local santificado, esteja livre da vida sexual e livre das distrações sensoriais:

"Para praticar a yoga, a pessoa deve ir a um local recluso e deve assentar grama kusa no chão e cobri-la com uma pele de veado e tecido macio. O assento não deve ser nem muito alto ou baixo e deve estar situado num local sagrado. O yogi deve então sentar-se firmemente e praticar yoga para purificar o coração por controlar a mente, sentidos e atividades fixando a mente em um ponto." Bhagavad-gita 6. 11/14
Sri Caitanya Mahaprabhu, o Avatara Dourado, que apareceu nesta era de kali, afirma que o processo da yoga para esta era é o cantar dos santos nomes de Krishna: Kali kalera dharma krishna nama sankirtana.

O prazer encontrado na vida espiritual é o sabor mais elevado. E pode ser experimentado em meio à maior perturbação ao nosso redor. No Bhagavad-gita, Arjuna teve que lutar no meio do campo de batalha de Kuruksetra e ao mesmo tempo alcançou a mais elevada bem aventurança espiritual. Isto porque ele era um devoto de Krishna e teve associação direta com o Senhor Supremo enquanto lutava. Isto quer dizer que na yoga o estágio mais elevado é alcançado quando estamos plenamente absortos em pensar, adorar e nos associar com o Senhor e Seus devotos. na yoga mais elevada de hoje podemos encontrar a perfeição suprema e bem aventurada que os yogis alcançavam em eras remotas encerrando-se em montanhas e lugares sagrados tais como as montanhas Himalaias.

P/ Rasananda Dasa

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Pertinácia


Quando uma pessoa se satisfaz plenamente por ter alcançado conhecimento, transcendido toda a aflição, ou alcançado o seu objetivo de vida desejado em serviço transcendental devocional a Deus - nessa altura seu estado de pertinácia, ou perseverança, chama-se dhrti. Nesta fase, nenhuma quantidade de perda a perturba, nem há nada que lhe pareça irrealizável.

Segundo a opinião de Bhartrhari, o sábio erudito, quando uma pessoa se eleva a este estado de pertinácia, ela pensa como se segue: " Não desejo ser funcionário governamental, nomeado para um cargo elevado. Estarei satisfeito mesmo que tenha que comer alimentos, pedindo-os como esmola. Prefiro permanecer nu, sem me vestir com as roupas adequadas. Prefiro deitar-me no solo sem nenhum colchão. E apesar de todas estas desvantagens, negar-me-ei a servir a qualquer pessoa, até mesmo ao governo. " Em outras palavras, quando uma pessoa tem amor extático pela Personalidade de Deus, ela pode suportar quaisquer tipos de desvantagens calculadas sob o conceito de vida material.

Nanda Maharaj, o pai de Krishna, costumava pensar: " A deusa da fortuna está pessoalmente presente no meu pasto, e eu possuo mais de um milhão de vacas que andam lentamente para lá e para cá. E, sobretudo, tenho um filho como Krishna, que trabalha tão poderosa e maravilhosamente. Por isso, apesar de ser um chefe de família, estou me sentindo muito satisfeito!". Este é um exemplo de pertinácia mental resultante da ausência de toda a aflição.

Em outra passagem, um devoto diz: " Estou sempre nadando no oceano nectáreo dos passatempos da Personalidade de Deus, e, como tal, não sinto mais atração por rituais religiosos, nem por desenvolvimento econômico, nem por deleite dos sentidos, nem sequer pela salvação última de fundir-se na existência de Brahman. " Este é um exemplo de pertinácia mental causada por se alcançar a melhor coisa do mundo. A melhor coisa que há no mundo é a absorção na consciência de Krishna.

Néctar da Devoção (outras características de amor extático por Krishna)